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Dia de Hoje

Dia de Hoje

24
Jan23

Dia de hoje 88

Zé Onofre

               88

 

023/01/24

 

Triste humanidade,

Esta, a que chegamos.

 

Desde que se coroou

Com os louros de civilizada,

Regrediu,

Não à selvajaria de onde emergiu,

Mas nos sentimentos de igualdade.

 

Triste humanidade,

Esta, a que chegamos.

 

O sentimento de igualdade

Transformou-se

No sentimento de posse,

De poder sobre os mais fracos,

De hostilidade

Contra os vizinhos.

 

Triste humanidade,

Esta, a que chegamos.

 

Tudo se transformou em mercadoria.

Desde os bens mais básicos

Como os alimentos,

O trabalho que sustenta a vida,

A terra e o mar,

A natureza com os seus recursos,

Os homens e o seu génio,

A arte e a educação,

A saúde,

Tudo se transformou

Em bens de troca e consumo.

Até o corpo das mulheres

Tem um preço à hora,

E os sem vergonha

Que tudo podem e possuem,

Civilizadamente evoluídos,

Chamam, a este tráfico de carne humana,

A mais velha profissão do Mundo.

 

Triste humanidade,

Esta, a que chegamos.

   Zé Onofre

10
Out22

Dia de hoje 65 - Canto triste

Zé Onofre

               65

 

                Canto triste

 

022/10/10

 

Pergunto aos jovens cantores

Que me dizem sobre o meu país?

Só os ouço em cantigas de amores

Uns são tristes, um outro quase feliz.

 

Mas sentados à mesa do café

Ouvem-se sussurros de desilusão.

Mas estes sussurros, saiba-se lá porquê,

Não são tema nem para uma canção.

 

Parece que os dias tristes trazem

Um amargo de boca aos cantores.

Será que quem futuro não tem

Merece só canções de frívolos amores?

    Zé Onofre

23
Out21

dia de hoje 10

Zé Onofre

                10

 

2021/10/22

 

Há um murmúrio de vento

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

Correndo solto lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

De folhas a dançar nas árvores lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

De ramos a gemer lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

De copas a conversar com copas lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

Assobiando por entre troncos lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

Cantando na floresta lá fora

Dentro de mim.

Este murmúrio de vento

Cantando na floresta lá fora

Assobiando por entre troncos lá fora

De copas a conversar com copas lá fora

De ramos a gemer lá fora

De folhas a dançar nas árvores lá fora

Correndo solto lá fora

Dentro de mim,

Virá de onde?

 

Penso, então, naquela árvore só

Perdida à beira do caminho,

Corroída pelos anos,

Tombada pelo vento,

Tostada pelo sol,

Coçada de cansaços

Que a ela se arrimaram.

 

Aquela árvore triste, só e perdida

Ali tão fora do seu lugar

Como foi ali parar?

Foi a floresta que o abandonou,

Ou foi trazida por algum gaio maluco,

Que sem razão alguma

Largou ali a semente de que nasceu.

 

Sinto que algo de comum nos une.

As suas folhas cantam ao vento,

Melodias tristes, doridas,

De uma alma perdida sem rumo.

Talvez saibamos que não pertencemos aqui

Que ambos sofremos de saudades

Da nossa floresta natal.

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