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Dia de Hoje

Dia de Hoje

21
Abr22

Comentário 249

Zé Onofre

          B 249 ------- 244

 

022/04/21

 

Sobre recados que te deixo, #3 por Sandra em cronicassilabasasolta.blogs.sapo.pt. Foto na publicação

 

 

 

Por caminhos há muito trilhados

Vou em passos saudosos

Em busca do quê?

  

Olho com olhares atentos

Em cada tronco de árvore madura,

Em cada pedra de muro caída,

Em cada clareira de musgo

E tento ver com olhos saudosos

Não sei o quê.

 

Com todos os sentidos alerta

Espero sentir

Na brisa mais leve

Uma sensação longínqua,

Com as orelhas espetadas,

O eco de um som há muito ido,

E o nariz, também esse procura,

Um perfume diferente

E nada.

 

Com um hábito automático,

Coisa que me ficou de há tanto tempo,

Pergunto

Que é que procuro?

 

Sem resposta,

Viro-me para a esquerda,  

Onde deverias estar,

Mas já não estás.

29
Dez21

Dia de Hoje -3

Zé Onofre

             -3

 

021/07/22

 

Já não sei.

Continuo a pensar

Naquele homem,

De há dois mil e quinhentos anos,

Ou há cinquenta,

Ou mesmo ontem,

Ou no dia em que o conheci

Ouvindo repetidamente

– Só sei que nada sei. –

-3b.jpg

Esse homem,

Por ser sábio,

Tinha a certeza de ser ignorante

– Só sei que nada sei. –

Continuei arrogantemente a ter certezas.

Continuei arrogantemente a caminhar

Por veredas que sabia serem

As certas indubitavelmente.

 

Há já tempos, vinda de não sei onde,

Talvez do fundo do passado,

Ressoa na minha cabeça aquela frase

– Só sei que nada sei –

Perscruto-me

E pergunto-me

– Por que não soube ouvir? –

Hoje, passados tantos anos,

A caminhar trilhos, talvez incertos,

À procura da Verdade,

Seja lá o que isso for,

Continuo à procura de um raio de luz,

De uma porta para sair,

Ou apenas uma brecha para me escapulir.

Apenas não a encontro

Porque não existe,

Ou porque tanto me enredei

Que a cada passo que dou

Mais me afasto?

    Zé Onofre

22
Dez21

Dia de hoje 21

Zé Onofre

              21

 

021/12/22, Café Martins, Amarante             

 

               I

 

Hoje percorri

Em passo lento e desalentado

Antigos trilhos da juventude

 

Hoje, ao percorrer

Aqueles antigos trilhos,

Senti-me um trapo.

 

Senti-me um trapo

Velho, sujo e roto

Pelos atalhos que tomei.

 

Atalhos que tomei

Consciente ou inconsciente

Foram as vias que escolhi.

 

As vias que escolhi

Que me levaram tão longe

Do futuro que me imaginei.

 

Do futuro que me imaginei,

Sem peias, nem amarras,

Sem poiso, nem morada.

 

Sem poiso e sem morada,

Vagabundo da vida,

Vivendo o dia-a-dia.

 

Vivendo o dia-a-dia

Como se fosse o primeiro

De uma vida sempre a renascer.

 

Trilhos antigos que me levaram

A mirar o velho Tâmega,

Cemitério de sonhos mortos.

 

Trilhos antigos

De onde mirei velhos telhados,

Verde musgo de voos caídos.

 

Trilhos antigos

Atapetados de douradas folhas

Coberta leve de futuros mortos.

 

Trilhos antigos

Iluminados por relâmpagos

Que se evadem deste trapo roto.

 

Trilhos antigos,

Sonhos mortos,

Vida suspensa.

 

                II

    

Não sei onde pertenço.

A certidão de nascimento

Menciona uma localidade.

 

A experiência de vida

Diz-me que é mentirosa

A certidão de nascimento.

 

É mentirosa.

Sinto-me nascido

Numa localidade que não há.

 

Contudo sei que nasci

Naquela localidade inexistente,

A mais bela do mundo.

 

É atravessado,

De Norte para Sul por um fio

De água pura a pratear os campos.

 

De Sudoeste para Nordeste

Atravessa-a uma fita negra

Tecida a alcatrão.

 

A Oeste uma colina

Que rapidamente desce

Para um riacho.

 

A leste outra colina

Que, de salto em salto,

Se vai banhar no rio.

 

No seu Centro, descentrado,

Há uma escola

Que ensina os mistérios do Além.

 

No seu Centro, descentrado,

Situa-se a escola

Que ensina o aqui e agora.

 

No seu Centro, descentrado,

Um perfume doce exala-se

Das tílias que o ornamentam.

 

Nessa localidade inexistente,

Mas que é de tal grandeza

Que nenhum mapa a contém.

 

Lá, dei os primeiros passos.

Lá, disse a primeira vez pai e mãe.

Lá, dei a primeira risada.

 

Minha Terra tão querida.

Minha Terra tão bonita.

Minha Terra tão inexistente.

   Zé Onofre

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