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Dia de Hoje

Dia de Hoje

21
Jul22

Dia de hoje 54

Zé Onofre

                 54

 

022/07/19

 

O mar!

Gosto de apreciar o mar

Ao caminhar pela areia molhada

Nas primeiras horas da manhã,

Ou ao sol rasante no horizonte.

 

O mar!

Respeito-o muito,

Todavia respeito mais os tornozelos.

Pois mal a água fria lhes bate

Parecem vidros partidos.

 

Contudo,

Quando era jovem,

Via a meia dúzia de passos do meu caminhar

Rochas erguidas,

Ora beijadas meigamente pelas ondas,

Ora fustigadas por um mar furioso com a vida,

Não resistia.

Esquecia os tornozelos,

Entrava água adentro,

Trepava até o mais alto dos rochedos.

 

Observava os navios que cruzavam os horizontes,

Criava viajantes

Vindos do passado para o futuro.

 

Ali ficava sonhando um outro mar,

Num outro tempo,

Num outro espaço.

 

Às vezes o olhar perdido via,

Emergindo do outro lado mar,

Uma torre humana tão alta

Que lembrava a torre da Babilónia,

A tal que iria servir de ponte

Entre a Terra e o Céu.

 

Uma das vezes fiquei tão perdido

Que acordei prisioneiro do mar

Naquele castelo roqueiro.

Eu, o mar e o vento húmido

Que me esvoaçava os cabelos como algas.

 

As brumas haviam-se levantado,

Afastando o horizonte,

Alongando as coisas, tornando-as silhuetas esguias.

Lá longe, a Torre da Babilónia,

Alta e esguia,

Parecia verdadeiramente o traço entre a Terra e o Céu.

 

Precisamente no momento desta descoberta

Uma estrela pestanejava no alto da Torre.

Tinha sido ela, a Torre, que subindo, subindo,

Chocara com uma estrela

Fazendo-a soltar chispas de oiro.

 

Naquele momento a Terra unira-se ao Céu.

Zé Onofre

27
Out21

Dia de hoje 11

Zé Onofre

                    11

2021/10/27

No ponto mais alto,

Do monte mais alto

Da freguesia

Uma torre acastelada

Que servia de vigia.

 

Essa torre

Que ficava no monte mais alto

Tornava ainda mais alto

O cume mais alto

Da freguesia.

 

Nessa torre,

Que ficava no cume mais alto

Do monte mais alto

Da freguesia,

Vivia em solidão,

Noite e dia,

O Sentinela.

 

Numa noite de luar

Cansado da solidão

Desceu o moço sentinela

A semelhança de escadaria

Que do alto da torre vigiava o longe

Noite e dia.

 

Olhava as estrelas

Acompanhando com o alaúde

As suas canções de amigo

A que apenas o luar e solidão

Prestavam atenção.

 

Embalado na sua canção

Avança distraído.

Nem com o luar no seu esplendor,

Atentou num tronco caído

Que lhe passou uma rasteira

Que o deixou no chão sem sentidos,

Sem dar um suspiro de dor.

 

Apenas acorda com a aurora orvalhada.

Descobre a seu lado

Uma jovem ao sono abandonada,

Sob um manto de arbustos floridos

Sem dúvida feito à sua medida.

 

Agora,

No cimo da torre

Que fazia mais alto

O cume mais alto

Do monte mais alto

Da freguesia,

O jovem sentinela

E  jovem que encontrara,

Naquela solidão tão lá no alto

Sob o manto dos arbustos floridos,

Beijavam-se candidamente

  Zé Onofre

.

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