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Dia de Hoje

Dia de Hoje

25
Jul22

comentário 283

Zé Onofre

                  283  

 

022/07/24

 

Sobre, Entre Nós, Sandra, 03.07.22,  cronicassilabasasolta.blogs.sapo.pt.

 

 

 

Era noite.

Para além das vidraças,

Um firmamento pontilhado

De pequenas lanternas.

Ao longe ouviam-se os últimos passos

Dos últimos notívagos

Que alegres, ou tristes, regressavam ao ninho.

Era então que as pequenas lucernas de azeite,

Que pontilhavam o firmamento,

Derramavam com leveza

Pequenos pingos de luz

Que encerava o verde da natureza.

Com frescura os poetas,

Extraíam dos aromas das flores silvestres,

As mais genuínas palavras

Escritas com ternura

E com suavidade as enviavam à origem.

  

Lá para o fim do arvoredo,

No fim da noite

Havia um terno calor que irradiava

De dois corpos.

Esquecidos da Terra e do firmamento,

Viviam num momento a eternidade

De uma vida plena.

Como se “Para tão longo amor  

Fosse tão curto o tempo”.

Ou se o tempo tivesse ficado sem tempo.

Zé onofre

08
Jul22

Comentário 277

Zé Onofre

           B 279 --------- 272

 

022/07/08

 

Sobre História(s) ao esquecimento, Concha, Junho 19, 2022, diário de uma senhora enfadada,

 

 

O tempo tudo desfoca.

O tempo tudo transforma.

O tempo tudo trai.

O tempo tudo esbate.

 

Se o tempo não desfocasse tudo.

Se o tempo não transformasse tudo.

Se o tempo não traísse tudo.

Se o tempo não esbatesse tudo.

 

Qual seria o papel do tempo se não desfocasse tudo.

Qual seria o papel do tempo se não transformasse tudo.

Qual seria o papel do tempo se não traísse tudo.

Qual seria o papel do tempo se não esbatesse tudo.

 

Tudo ficaria focado.

Tudo ficaria como é.

Tudo ficaria igual.

Tudo ficaria nítido.

 

Ficaríamos presos num instante.

Eternamente parados.

Eternamente estátua num gesto inacabado.

 

Eternamente mortos.

Zé Onofre

22
Jun22

Dia de hoje 51

Zé Onofre

               51

 

022/06/22              

 

Já era tempo,

Ó Universo,

Já era tempo

De encontrar no fundo do meu olhar

Um lago de águas calmas,

Um rio de águas mansas

Por entre areais e verdes arvoredos

Correndo sereno pelos dias

Até a o mar.

 

Já era tempo

De encontrar no fundo do meu olhar

Um céu azul translúcido,

Ou cinzento

Regando com vagar os resplandecentes campos,

Vestido do verde-escuro-húmido do inverno,

Já incendiado das cores arco-íris da primavera,

Ora amarelo-dourado do alegre verão,

Ou das cores alegre-tristes do Outono.

 

Já era tempo

De encontrar no fundo do meu olhar

O céu escuro a pirilampar,

Ou um céu vestido de um manto leitoso de luar.

 

Já era tempo

De encontrar no fundo do meu olhar

De não me sobressaltar

Com as convulsões da vida,

De vagarosamente mergulhar

Naquela serena corrente

Que longamente me há de levar

Para parte incerta.

 

Já era tempo

De não encontrar no fundo do meu olhar

As convulsões de emoções,

De dúvidas e incertezas,

De ter que lutar contra fantasmas do passado,

De tentar dar vida a um futuro

De utopias.

Zé Onofre

14
Mai22

Comentário 266

Zé Onofre

               266

 

022/05/14

 

Sobre o texto Tranquilidade, por Alice Alfazema, em 022/05/09, no blog alicealfazema.blogs.sapo.pt

 

Um cão mansamente,

Em marcha ziguezagueante

Farejando de um lado para o outro,

Tenta descobrir um mistério

Que não está ao alcance

De humanos obliterados

Pela contagem do tempo.

 

Árvores de braços verdes,

Numa imitação de aves,

Içam-se ao azul

Nas aragens quentes.

 

Mais longe,

Árvores brilham á luz do sol

Imitando luzeiros acesos

Nas noites escuras.

 

Alguns humanos circulam

Aparentemente sem rumo

Como que perdidos no tempo

Há procura de um destino

Que não sabem qual é

Tão confusos que andam.

  Zé Onofre

29
Abr22

Comentário 254

Zé Onofre
               254

022/04/29

Sobre Eco, por Maria em 28.04.22 no blog narrativa.blogs.sapo.pt/ 

 

Quanto tempo, tem o tempo

Se o tempo, tempo tem.

 

Quem se move,

Nós no tempo,

Ou o tempo em nós?

 

Viajamos no tempo sobre o espaço?

Ou o espaço é que cavalga o tempo

E nos leva na sua garupa?

 

Seja lá qual for a verdade

Chegará um dia em que o espaço,

Ou o raio do tempo param.

 

Nós, qual cavaleiros desprevenidos,

Seremos lançados garupa fora

Como trouxa sem valor.

  Ze Onofre

07
Jan22

Dia de hoje 23

Zé Onofre

              23

 

022/01/07

 

Ontem segui os meus passos.

Deixei-me guiar

Por caminhos dos meus olhares.

Parei frente à janela

Da “moleirinha”,

Do “ai há quantos anos…”,

Da “velha, da cabaça e do lobo”,

Das noites escuras estreladas,

Dos campos verdes a bordejar de água,

Dos milheirais amarelecendo,

Do fio de água

Feito lago grande

Presa num muro de pedra feito barragem.

 

Os meus olhares,

Que foram atrás dos meus passos,

Ainda tentam ver

Nos recantos do passado

Os meus amigos da escola e da catequese.

 

Meus companheiros,

Do alvorecer da vida,

A serpentear por entre os pés de milho,

A mergulharmos nus,

Ou em cuecas,

Naquele eterno lago,

Que o fio ténue de água

Descendo do alto da encosta

Vem alimentar.

 

Num outro quadro do passado

Vislumbro-me aninhado ou dobrado

Com os meus amigos de brincadeiras  

Nas bordas daqueles campos  

Que rodeavam aquele fio de água –

Que regará campos,

Moverá moinhos.

Rodas de fabriquetas,

Antes de se atirar ao mar

Depois de acompanhar rabelos –

A apanhar uns frutinhos vermelhos

Perfumados de aroma silvestre,

Morangos tão saborosos,

Mil vezes mais saborosos

Do que os enormes e vistosos,

Nascidos no mimoso cativeiro das estufas.

  

O nevoeiro do passado levanta-se.

São agora os meus olhos tristes

Que escorrem água salgada

Para o lago-memória

Que trago em mim.

 

Meus companheiros

De escola e catequese,

Meus amigos recolectores de frutos silvestres,

Mataram aquele fiozinho de água,

Onde no verão refrescávamos os corpus nus,

Apenas cobertos pelos milheirais.

As pequenas encostas,

Onde cresciam livres,

Saborosos e perfumados morangos.

Aquele fiozinho de água

Que levava misturado  os nossos risos,

Através de campos,

Moinhos,

Fabriquetas,

A acompanhar rabelos até se dissolver no mar.

  

Meus companheiros

De escola e catequese

Mataram aquele regatinho

Onde ontem sonhávamos aventuras.

Hoje, aquele leito que foi de água corrente,

É uma parada linha negra,

Por onde passam correndo

Pessoas, prisioneiras de máquinas,

Com destino marcado

Sem tempo para sonhar.

   Zé Onofre

 

22
Set21

Dia de hoje 4

Zé Onofre

                 4

 

2021/09/22

 

Num tempo,

Que tinha todo o tempo

Que o tempo tinha,

Saltava

De Terra em Terra,

De polegar espetado ao vento,

À espera que um quatro rodas

Me levasse.

 

Nesse tempo,

Em que tinha

Todo o tempo

Que o tempo tinha,

Fui parar à praia de Matosinhos,

Onde esperava abrigo

Que não encontrei.

 

Como tinha

Todo o tempo

Que o tempo tem

Recomecei a viagem,

Dedo polegar

Espetado ao vento,

Para a casa paterna

Junto ao Monte de Stª Cruz,

Junto ao Tâmega.

 

Como tinha

Todo o tempo

Que o tempo tem,

E os quatro rodas

Não viam,

Ou desviavam os olhos,

Do polegar

Espetado ao vento,

Continuei noite dentro.

 

Passo atrás de passo,

Pé à frente,

Pé atrás

Ia.

 

O sol

No seu vagar de Verão

Não se pôs,

Foi-se pondo

Tinha, como eu,

Todo o tempo

Que o tempo tem.

 

A subir a serra de Valongo,

As estrelas,

Uma depois da outra,

Acendiam-se,

Fazendo ressaltar

O azul-escuro do céu

De horizonte a horizonte.

Como Todos

Tínhamos todo o tempo

Que o tempo tinha

Eu,

Sol,

Estrelas

Até a lua  

Numa marcha

Lenta e leitosa

Apareceu

Para iluminar

Os meus passos

Serra acima,

Serra abaixo

Até onde as pernas cansadas

Encontraram descanso

Num tronco do caminho.

 

Os olhos, esses,

Continuaram

A seguir o caminhar da lua,

Gozando

Todo o tempo

Que o tempo tem,

Até ao alvorecer.

   Zé Onofre

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