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Dia de Hoje

Dia de Hoje

06
Dez21

Dia de hoje 16

Zé Onofre

              16

 

021/11/06, o barco da memória

 

Como todos os dias, naquele dia de Verão,

Desci pelas encostas dos montes,

Carreiros íngremes de cabras.

Desci-os lentamente

À custa de solas de sapatos

E de olhares presos no além-longe.

Cheguei ao Tâmega

Que, como nos últimos tempos,

Somente eu vou às suas águas gloriosas.

 

Cheguei, estiquei-me à pai-adão,

Na toalha estendida na relva.

Com surpresa, vindo não sei de onde,

Vejo ali, encostado à relva onde poisei, um barco.

Então, sinto-me rodeado de jovens e crianças,

A jogar, a brincar, a saltar para a água.

No barco o “velho Correia”

À espera que embarcássemos para a viagem

Às rochas misteriosas rendadas pelas águas.

22
Set21

Dia de hoje 4

Zé Onofre

                 4

 

2021/09/22

 

Num tempo,

Que tinha todo o tempo

Que o tempo tinha,

Saltava

De Terra em Terra,

De polegar espetado ao vento,

À espera que um quatro rodas

Me levasse.

 

Nesse tempo,

Em que tinha

Todo o tempo

Que o tempo tinha,

Fui parar à praia de Matosinhos,

Onde esperava abrigo

Que não encontrei.

 

Como tinha

Todo o tempo

Que o tempo tem

Recomecei a viagem,

Dedo polegar

Espetado ao vento,

Para a casa paterna

Junto ao Monte de Stª Cruz,

Junto ao Tâmega.

 

Como tinha

Todo o tempo

Que o tempo tem,

E os quatro rodas

Não viam,

Ou desviavam os olhos,

Do polegar

Espetado ao vento,

Continuei noite dentro.

 

Passo atrás de passo,

Pé à frente,

Pé atrás

Ia.

 

O sol

No seu vagar de Verão

Não se pôs,

Foi-se pondo

Tinha, como eu,

Todo o tempo

Que o tempo tem.

 

A subir a serra de Valongo,

As estrelas,

Uma depois da outra,

Acendiam-se,

Fazendo ressaltar

O azul-escuro do céu

De horizonte a horizonte.

Como Todos

Tínhamos todo o tempo

Que o tempo tinha

Eu,

Sol,

Estrelas

Até a lua  

Numa marcha

Lenta e leitosa

Apareceu

Para iluminar

Os meus passos

Serra acima,

Serra abaixo

Até onde as pernas cansadas

Encontraram descanso

Num tronco do caminho.

 

Os olhos, esses,

Continuaram

A seguir o caminhar da lua,

Gozando

Todo o tempo

Que o tempo tem,

Até ao alvorecer.

   Zé Onofre

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