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Dia de Hoje

Dia de Hoje

30
Abr22

Comentário 255

Zé Onofre

                     255

 

022/04/29

 

Sobre, O Equívoco de Se Ser, por Cuca Margoux, em 022/04/27, no blog aesquinadodesencontro.blogs.sapo.pt

 

Saberei eu quem sou?

Ou sou o que imagino ser?

Ou apenas serei uma imagem

Reflectida nos olhos de alguém?

 

Que imagem é aquela reflectida,

Que olho nos olhos da gente

Que apressada, ou lenta, passa

Por esta sombra vagabunda.

 

Serei a sombra fugidia nos olhos

Da gente que apressada vai sem destino,

Ou aquela sombra quase parada

Nos olhos de quem não tem para onde ir.

 

Conhecendo-me, ou desconhecendo-me,

Sei que caminho pela vida como sombra

De um eu que vive, sofre e interroga,

O caminho por onde passo a passo vou.

  Zé Onofre

22
Abr22

Comentário 250

Zé Onofre

                   250  

 

022/04/22

 

Sobre – saíste como entraste na minha vida, por Maria em silencios.blogs.sapo.pt/

 

Agora, espero ouvir passos

Caminharem até à porta de entrada

Do casulo onde vivo.

 

Agora, olho através do postigo,

Nem uma sombra se desloca

Para o casulo onde vivo.

  

Agora, cansado de esperar e olhar,

Apoio a cabeça nas mãos cansadas

Na mesa do casulo onde vivo.

 

Passam então, na tela dos olhos fechados

Imagens que o tempo, esse ladrão de cores

Tornou cinzentas, quase fundidas

Nas paredes do casulo onde vivo.

 

São imagens de tantas pessoas

Que vieram, que foram,

Com quem fiz mil e uma aventuras.

Habitam como fantasmas no casulo onde vivo.

 

Noutros tempos vieram

Cheios de vida e alegria, sóis da minha vida.

Partiram com saudades e saudades deixaram.

Agora nem alegria, nem sóis, nem tristeza,

Apenas fantasmas melancólicos

No casulo onde vivo.

Zé Onofre

30
Set21

Dia de hoje 6

Zé Onofre

                       6

 

2021/09/30

 

Era Verão.

A aragem do regato

Amainara o calor do dia.

Já se podia jogar

No largo do cruzeiro.

 

No meio

Da brincadeira dos grandes

Um miúdo corria.

Embora a idade fosse pouca

Para o jogo dos maiores

Divertia-se.  

 

O lusco-fusco

Chegava.

Com ele uma sombra,

Vinda não se sabia de onde

Desapareceu com o pequenito

Estrada acima.

 

A rapaziada mais velha

Somente se apercebeu

Que algo de errado acontecera

Quando viram o pequeno

A descer a estrada

Tremendo como varas verdes.

 

Vinha de cabelo no ar,

Os olhos grandes como bugalhos,

A boca aberta

De lábios paralisados.

 

Parecia pedir socorro,

Mas qualquer som saía da boca horrorizada.

Naquela boca

Tudo paralisara

As cordas vocais,

A língua.

Daqueles lábios

Nada saía

Sequer um grito.

        Zé Onofre

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