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Dia de Hoje

Dia de Hoje

23
Out22

Comentário 300

Zé Onofre

                   300 

 

022/10/19

 

 Sobre Quantos e Tantos Mais, Lúcia Neves em 16.10.22, no mluciadneves.blogs.sapo.pt

 

Caminho pelas veredas da vida

Sem sombra de alguém

Que comigo queira

Cheirar as mesmas flores,

Gozar os mesmos raios de luz,

A luz cinzenta caída das nuvens,

A sombra frondosa dos carvalhos,

O frio da geada

Que nenhum sol derreteu.

 

Caminho pelas veredas da vida

Só.

Enquanto lanço perna atrás da perna,

Desfilam

Pelos meus sentidos

Ideias extravagantes

De sociedades onde há apenas pessoas,

Onde cada um tem “o necessário,

Estritamente o necessário”,

À maneira do urso Balu do Livro da Selva.

Uma sociedade

Onde cada um recebe o que precisa,

Dá o que tem.

Uma sociedade

Sem exploradores, nem explorados,

Onde as pessoas são o que são,

Não são o que têm.

 

Afinal os meus pés não tropeçam sós no caminho.

Na minha cabeça

Acompanha-me uma multidão de pessoas

Felizes

Que o meu pensamento criou.

 

Contudo uma pergunta

Me atormenta.

Será que não andarão por aí

Ideias a germinar 

Semelhantes às minhas

Que com ele queiram fazer caminho? 

    Zé Onofre

12
Out22

Dia de hoje 66 Canto Triste II

Zé Onofre

               66

 

Canto triste II

 

022/10/12

 

Amigo

Tão perdido no vento

Por esses caminhos do desalento.

Porque desperdiças o tempo

E não o somas ao de alguém.

 

Em cidades

Em vilas e aldeias

Porque passas sem olhar bem

Não saberás que há outros à tua beira

Que sofrem também.

 

Vê que

Vê que se ficas só

Não irás a qualquer parte.

Deixa que os sonhos dos outros

Sejam os teus sonhos também.

       Zé Onofrer

23
Out21

dia de hoje 10

Zé Onofre

                10

 

2021/10/22

 

Há um murmúrio de vento

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

Correndo solto lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

De folhas a dançar nas árvores lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

De ramos a gemer lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

De copas a conversar com copas lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

Assobiando por entre troncos lá fora

Dentro de mim.

 

Há um murmúrio de vento

Cantando na floresta lá fora

Dentro de mim.

Este murmúrio de vento

Cantando na floresta lá fora

Assobiando por entre troncos lá fora

De copas a conversar com copas lá fora

De ramos a gemer lá fora

De folhas a dançar nas árvores lá fora

Correndo solto lá fora

Dentro de mim,

Virá de onde?

 

Penso, então, naquela árvore só

Perdida à beira do caminho,

Corroída pelos anos,

Tombada pelo vento,

Tostada pelo sol,

Coçada de cansaços

Que a ela se arrimaram.

 

Aquela árvore triste, só e perdida

Ali tão fora do seu lugar

Como foi ali parar?

Foi a floresta que o abandonou,

Ou foi trazida por algum gaio maluco,

Que sem razão alguma

Largou ali a semente de que nasceu.

 

Sinto que algo de comum nos une.

As suas folhas cantam ao vento,

Melodias tristes, doridas,

De uma alma perdida sem rumo.

Talvez saibamos que não pertencemos aqui

Que ambos sofremos de saudades

Da nossa floresta natal.

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