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Dia de Hoje

Dia de Hoje

08
Abr22

Di<a de hoje 41

Zé Onofre

                   41

 

022/04/08

 

Passo atrás de passo,

Sem saber para onde vou,

Se é que vou,

Se é que marco passo,

Ou se me arrasto em círculos fechados.

 

Passo atrás de passo

Fico passado

De tanto andar.

Se ao menos uma luz,

Uma minúscula chispa

Me indique um rumo

Que me retire deste labirinto,

Tão labiríntico

Que a cada instante

O labirinto já é outro.

 

Passo atrás de passo

Não sei se sou vou só,

Ou se sou um processionário.

Não sei se regresso,

Ou se me alongo para lá do visível,

Ou se ando perdido num filme de que não faço parte.

 

Passo atrás de passo,

Enredo-me no passado,

Perco-me no presente,

Rodando até à loucura,

À descoberta da porta,

Da janela, ou será apenas uma fenda,

Que leva ao futuro.

   Zé Onofre

07
Dez21

Dia de hoje 17

Zé Onofre

              17

 

021/12/07

 

Era uma vez…

Uma pessoa sentada num banco solitário,

Frente a um lago verde

Que se agitava com as sombras

De árvores milenárias.

Habituadas a ouvir pessoas desesperadas

Naquele banco solitário e pensativo.

 

Era uma vez …

Inopinadamente,

Naquele banco abandonado,

Sentou-se calmo, como uma parede,

Muro das lamentações ali caído,

Ouviu aquela pessoa que remoía dores pensativas.

Conforme chegou partiu.

 

Era uma vez …

A pessoa sentada no banco,

Solitário à beira do lago,

Sob as sombras tutelares,

Murmurava a sensação vazia de viver,

De passar pela vida que em desnorte vai.

 

Era uma vez…

Um banco breve frente ao lago

Cujas sombras de árvores milenárias,

Agitavam fantasmagóricas figuras.

Sem aviso prévio, dizia a pessoa vazia,

Que se ausentaram para um longe perfeito,

Que ninguém, por mais alto que grite,

Será capaz de lavar a sua dorida cabeça,

Trará quem de novo lhes alegre o olhar.

 

Era uma vez…

A pessoa solitária no banco,

Frente às verdes águas do lago,

Que árvores milenares ensombram

Nem reparou, como sempre acontecia,

Num monge preparado para tudo.

Para lidar com a penitência e a dor.

Preparado para lidar com o pecado

E o desapego das coisas do prazer.

 

Era uma vez…

Aquele banco usado em dias consecutivos.

Por aquela tristeza, pareceu-lhe

Que já não era um inútil banco,

Esquecido frente às águas paradas,

Das assombradas árvores milenárias.

Uma pessoa, talvez de vida vivida,

Segredava-lhe – não há panaceias

Que curem as pessoas mutiladas

Seja na carne ou na alma.

 

Era uma vez …

No banco solitário e sombrio,

Frente às águas verdes agitadas

Pelas milenares sombras das árvores,

Mais uma vez a pessoa se desfazia em lágrimas.

Chega-se à sua beira um homem vulgar,

Que ao ouvido lhe diz – Sobe ao alto,

 do monte mais alto e pragueja contra

A maldita injustiça da vida.  

Logo a seguir, ainda não refeita, já outra voz,

Ali caída e não chamada aconselhava.

Procura um templo, seja que de religião for,

No lugar mais escuso e ermo que encontrares,

E Impreca todos os santos e todos os deuses

Pela cruel injustiça que a vida nos traz.

Finalmente um terceiro, de voz, um fio de som,

Disse-lhe dentro da cabeça – Esquece tudo.

Chora até renovares a água do lago,

Até que as sombras deixem ver a luz.

Faça tudo isto com uma música composta,

Com todas as notas e acordes da saudade.

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