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Dia de Hoje

Dia de Hoje

02
Mai22

Comentário 257

Zé Onofre

                                   B 257 -------- 252

 

022/04/30

 

Sobre Derradeira Confissão, por Sandra no blog Cronicassilabasasolta.blogs.sapo.pt, em 022/04/26

 

Não sei quais as palavras certas

Que direi na hora de partir.

 

Não sei se parto

E os outros ficam,

Ou se os outros partem

E eu é que fico.

 

Seja como for

É sempre hora de partir.

E as palavras ficam suspensas

Na ponta do lápis.

 

Atropelam-se umas às outras

Qual delas a querer ser a preferida,

A mais precisa

Na hora da partida.

 

Como decidir qual delas

Usarei, se sequer sei

Se é só um bilhete de ida,

Ou se é de ida e volta?

 

Encerro-me em mim,

Estrangulo o lápis,

Recuso-me simplesmente

A acreditar em partidas,

Definitivas.

 Zé Onofre

16
Dez21

Dia de hoje 19

Zé Onofre

              19

 

021/12/16

 

                    I

 

Era uma vez uma menina.

Era uma vez uma mesa.

Era uma vez um frasco de cola.

Era uma vez uma parede.

 

                    II

 

Era uma vez uma menina …

Em casa, sozinha,

Sem nada para fazer.

Já tinha olhado

A paisagem além da janela.

Já tinha pegado num livro

Leu duas páginas e cansou-se.

Já tinha pegado em lápis,

Em tintas e pincéis.

Nem a pintura e o desenho

Lhe interessaram.

 

                    III

 

Era uma vez uma mesa.

Desanimada sentou-se à mesa.

Passou os olhos pelo quarto.

Nem a cama a seduzia.

A um canto um cesto de papéis

Esperavam a ordem de despejo.

Mais além, fora de lugar,

Um rolo de papel de cenário,

Esperava ordem de se arrumar.

Levantou-se pegou no rolo,

Inerte largou-o em cima da mesa.

 

                     IV

 

Era uma vez um frasco de cola.

A menina olhou-o por um momento.

De seguida mirou o rolo de papel.

Num canto da mesa uma tesoura.

No canto o cesto dos papéis.

Os seus olhos brilharam.

Desenrolou o papel.

Foi buscar o cesto dos papéis.

Pegou num dos papéis.

Uma tesourada, uma pincelada de cola.

Deitou-os, cada um no seu canto, do papel.    

 

                     V

 

Era uma vez uma parede.

Na mesa do quarto ia grande azáfama.

Uma menina tesourava e colava,

Na mesa o papel de cenário

Estava quase vestido de papéis.

Mais papel, menos papel e pronto.

Ainda havia papel nas mãos pegajosas.

Colou papel sobre papel, feliz com a sua obra.

O chão ladrilhado de papelinhos, que importava?

Faltava um último retoque, arrumar a sua arte.

Com todas os requintes pendurou-a na parede.

Zé Onofre 

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