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Dia de Hoje

Dia de Hoje

13
Fev22

Dia de hoje 26

Zé Onofre
26




022/02/13




Aquele homem madrugou.

‘inda o sol não espreitava na varanda das colinas,

Já ele marcava a terra arada com as suas pegadas.

O braço direito,
Agitava-se com a aragem húmida do amanhecer.

Dos seus dedos soltava-se uma poalha,

Uma ligeira sombra contra a luz que se aproximava.




Bem cedo se ergueu aquele homem.

Quem de longe o vê,

Misterioso,

Caminhar na terra lavrada,

A esbracejar contra o infinito,

Ao lusco-fusco do amanhecer

Apenas pode imaginar   

Que faz ali o homem antes do sol raiar

Por entre o gradeamento colorido,

Lá do alto das varandas das colinas.

Lança sementes à terra?

Lança sonhos ao infinito?

Lança ilusões ao sol, finalmente, nascente?

Seja que semente for,

Que a seara multiplique os seus desejos,

Que o sol tardio veio espreitar.

Zé Onofre
06
Out21

Dia de Hoje 8

Zé Onofre

                  8

 

2021/10/06

 

Há alguns anos

Sentava-me num banco

A falar com Pascoaes

De bronze.

 

Curioso perguntei,

Àquele bronze,

De olhar sempre posto

No pequeno horizonte que lhe deram,

Que via ele

Para além do casario.

 

Uma resposta

Caiu no meu pensamento.

Que não olhava o casario,

Apenas mirava no céu

As imagens sem fim

Que o vento desenhava

Com as nuvens

No infinito azul.

 

Deitei-me naquele banco,

Onde depois me deitei muitos outros dias.

Vi Veleiros,

Vi leões, hipopótamos, elefantes,

Continentes, ilhas, penínsulas, nações,

Deuses, anjos e demónios,

Rostos e máscaras.

Todas estas imagens

Pintadas do cinzento-escuro ao claro

Por um vento forte,

Ou por ligeira brisa.

 

Num dos anoiteceres,

De Domingo, após Domingo,

Vi,

Entre pequenos farrapos cinzentos,

Pétalas derramadas por planta incógnita,

Um corpo humano.

 

Não estava colorido

De branco e cinza

Como as outras imagens.

Era rosa-transparente

Colorido pelo sol-poente.

Tão translúcido,

Tão transparente,

Que se via,

Por entre a matéria do corpo,

O sofrimento imenso

De uma alma profunda.

  Zé Onofre

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