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Dia de Hoje

Dia de Hoje

14
Set22

Comentário 295

Zé Onofre

                   295 

 

022/09/13

 

Sobre, O Signo de Deus, Sandra, 03.09.22, cronicassilabasasolta.blogs.sapo.pt

 

 

Se a lua,

As estrelas,

A noite me contassem todos os segredos

Não teria enganos,

Desilusões,

Ou medos do amanhã.

 

Talvez

A lua,

As estrelas,

A noite me contem todos os segredos.

Talvez seja incapacidade minha

Não saber ouvir as palavras

Que o universo sussurra na aragem.

 

Talvez

A lua,

As estrelas,

A noite me contem todos os segredos.

Talvez seja por incapacidade minha,

Não os recolher um a um conforme, 

Caem à minha frente como folhas de outono.

 

Talvez

A lua,

As estrelas,

A noite me contem todos os segredos.

Talvez seja por incapacidade minha,

Que lhes fecho os olhos

Como se fossem raios de uma tempestade.

 

Talvez

A lua,

As estrelas,

A noite me contem todos os segredos.

Talvez seja por medo meu

Não os ouvir,

Não os apanhar,

Não os ver.

    Zé Onofre

27
Out21

Dia de hoje 11

Zé Onofre

                    11

2021/10/27

No ponto mais alto,

Do monte mais alto

Da freguesia

Uma torre acastelada

Que servia de vigia.

 

Essa torre

Que ficava no monte mais alto

Tornava ainda mais alto

O cume mais alto

Da freguesia.

 

Nessa torre,

Que ficava no cume mais alto

Do monte mais alto

Da freguesia,

Vivia em solidão,

Noite e dia,

O Sentinela.

 

Numa noite de luar

Cansado da solidão

Desceu o moço sentinela

A semelhança de escadaria

Que do alto da torre vigiava o longe

Noite e dia.

 

Olhava as estrelas

Acompanhando com o alaúde

As suas canções de amigo

A que apenas o luar e solidão

Prestavam atenção.

 

Embalado na sua canção

Avança distraído.

Nem com o luar no seu esplendor,

Atentou num tronco caído

Que lhe passou uma rasteira

Que o deixou no chão sem sentidos,

Sem dar um suspiro de dor.

 

Apenas acorda com a aurora orvalhada.

Descobre a seu lado

Uma jovem ao sono abandonada,

Sob um manto de arbustos floridos

Sem dúvida feito à sua medida.

 

Agora,

No cimo da torre

Que fazia mais alto

O cume mais alto

Do monte mais alto

Da freguesia,

O jovem sentinela

E  jovem que encontrara,

Naquela solidão tão lá no alto

Sob o manto dos arbustos floridos,

Beijavam-se candidamente

  Zé Onofre

.

22
Set21

Dia de hoje 4

Zé Onofre

                 4

 

2021/09/22

 

Num tempo,

Que tinha todo o tempo

Que o tempo tinha,

Saltava

De Terra em Terra,

De polegar espetado ao vento,

À espera que um quatro rodas

Me levasse.

 

Nesse tempo,

Em que tinha

Todo o tempo

Que o tempo tinha,

Fui parar à praia de Matosinhos,

Onde esperava abrigo

Que não encontrei.

 

Como tinha

Todo o tempo

Que o tempo tem

Recomecei a viagem,

Dedo polegar

Espetado ao vento,

Para a casa paterna

Junto ao Monte de Stª Cruz,

Junto ao Tâmega.

 

Como tinha

Todo o tempo

Que o tempo tem,

E os quatro rodas

Não viam,

Ou desviavam os olhos,

Do polegar

Espetado ao vento,

Continuei noite dentro.

 

Passo atrás de passo,

Pé à frente,

Pé atrás

Ia.

 

O sol

No seu vagar de Verão

Não se pôs,

Foi-se pondo

Tinha, como eu,

Todo o tempo

Que o tempo tem.

 

A subir a serra de Valongo,

As estrelas,

Uma depois da outra,

Acendiam-se,

Fazendo ressaltar

O azul-escuro do céu

De horizonte a horizonte.

Como Todos

Tínhamos todo o tempo

Que o tempo tinha

Eu,

Sol,

Estrelas

Até a lua  

Numa marcha

Lenta e leitosa

Apareceu

Para iluminar

Os meus passos

Serra acima,

Serra abaixo

Até onde as pernas cansadas

Encontraram descanso

Num tronco do caminho.

 

Os olhos, esses,

Continuaram

A seguir o caminhar da lua,

Gozando

Todo o tempo

Que o tempo tem,

Até ao alvorecer.

   Zé Onofre

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