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Dia de Hoje

Dia de Hoje

30
Set21

Dia de hoje 6

Zé Onofre

                       6

 

2021/09/30

 

Era Verão.

A aragem do regato

Amainara o calor do dia.

Já se podia jogar

No largo do cruzeiro.

 

No meio

Da brincadeira dos grandes

Um miúdo corria.

Embora a idade fosse pouca

Para o jogo dos maiores

Divertia-se.  

 

O lusco-fusco

Chegava.

Com ele uma sombra,

Vinda não se sabia de onde

Desapareceu com o pequenito

Estrada acima.

 

A rapaziada mais velha

Somente se apercebeu

Que algo de errado acontecera

Quando viram o pequeno

A descer a estrada

Tremendo como varas verdes.

 

Vinha de cabelo no ar,

Os olhos grandes como bugalhos,

A boca aberta

De lábios paralisados.

 

Parecia pedir socorro,

Mas qualquer som saía da boca horrorizada.

Naquela boca

Tudo paralisara

As cordas vocais,

A língua.

Daqueles lábios

Nada saía

Sequer um grito.

        Zé Onofre

19
Set21

Dia de Hoje 2

Zé Onofre

             deonde  2

 

2021/09/19

 

Havia.

Lá na minha aldeia,

Perdida entre montes,

Havia

Uma corrente de água.

 

Havia.

Lá, do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Havia

Uma corrente de água.

 

Havia.

Lá, entre dois campos verdes,

Em frente à minha janela

Havia

Uma corrente de água.

 

A corrente de água

Que havia

No meio dos campos verdes

Em frente da minha janela,

Do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Na minha aldeia,

Não sabia de onde vinha.

 

A corrente de água

Que havia

No meio dos campos verdes

Em frente da minha janela,

Do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Na minha aldeia,

Não sabia para onde corria.

 

Apenas sabia

Que naquela corrente de água

Que havia

No meio dos campos verdes

Em frente da minha janela,

Do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Na minha aldeia,

Que vinha não sei de onde,

Que ia não sei para onde,

Vivia as minhas aventuras marinheiras.

 

Hoje

Penso que sei

Que aquela corrente de água

Que havia,

No meio dos campos verdes,

Em frente da minha janela,

Do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Na minha aldeia,

Que vinha não sei de onde,

Que ia não sei para onde,

Levava-me sem saber

Para além do mar.

Zé Onofre

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