Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Dia de Hoje

Dia de Hoje

14
Out21

Dia de Hoje 9

Zé Onofre

9

2021/10/14

 

Era uma vez uma casa.

 

Era uma vez um quarto

Que ficava na casa.

 

Era uma vez uma cama

Que ficava no quarto

Que ficava na casa.

 

Era uma vez um jovem

Que dormia na cama

Que ficava no quarto

Que ficava na casa.

 

Era uma vez um menino

Que dormia com o jovem

Que dormia na cama

Que dormia no quarto

Que ficava na casa.

 

Era uma vez um jovem

Que contava historinhas

Ao menino que com ele dormia

Na cama

Que ficava no quarto

Que ficava na casa.

 

Era uma vez um menino

Que dormia sonhando

Com as historinhas

Que o jovem irmão

Lhe contava na cama

Que ficava no quarto

Que ficava na casa.

 

Era uma vez um menino

Que se levantava da cama

Que saía em sonhos

Pela janela

Daquele quarto

Que ficava na casa.

 

 

 

 

22
Set21

Dia de hoje 4

Zé Onofre

                 4

 

2021/09/22

 

Num tempo,

Que tinha todo o tempo

Que o tempo tinha,

Saltava

De Terra em Terra,

De polegar espetado ao vento,

À espera que um quatro rodas

Me levasse.

 

Nesse tempo,

Em que tinha

Todo o tempo

Que o tempo tinha,

Fui parar à praia de Matosinhos,

Onde esperava abrigo

Que não encontrei.

 

Como tinha

Todo o tempo

Que o tempo tem

Recomecei a viagem,

Dedo polegar

Espetado ao vento,

Para a casa paterna

Junto ao Monte de Stª Cruz,

Junto ao Tâmega.

 

Como tinha

Todo o tempo

Que o tempo tem,

E os quatro rodas

Não viam,

Ou desviavam os olhos,

Do polegar

Espetado ao vento,

Continuei noite dentro.

 

Passo atrás de passo,

Pé à frente,

Pé atrás

Ia.

 

O sol

No seu vagar de Verão

Não se pôs,

Foi-se pondo

Tinha, como eu,

Todo o tempo

Que o tempo tem.

 

A subir a serra de Valongo,

As estrelas,

Uma depois da outra,

Acendiam-se,

Fazendo ressaltar

O azul-escuro do céu

De horizonte a horizonte.

Como Todos

Tínhamos todo o tempo

Que o tempo tinha

Eu,

Sol,

Estrelas

Até a lua  

Numa marcha

Lenta e leitosa

Apareceu

Para iluminar

Os meus passos

Serra acima,

Serra abaixo

Até onde as pernas cansadas

Encontraram descanso

Num tronco do caminho.

 

Os olhos, esses,

Continuaram

A seguir o caminhar da lua,

Gozando

Todo o tempo

Que o tempo tem,

Até ao alvorecer.

   Zé Onofre

19
Set21

Dia de Hoje 2

Zé Onofre

             deonde  2

 

2021/09/19

 

Havia.

Lá na minha aldeia,

Perdida entre montes,

Havia

Uma corrente de água.

 

Havia.

Lá, do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Havia

Uma corrente de água.

 

Havia.

Lá, entre dois campos verdes,

Em frente à minha janela

Havia

Uma corrente de água.

 

A corrente de água

Que havia

No meio dos campos verdes

Em frente da minha janela,

Do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Na minha aldeia,

Não sabia de onde vinha.

 

A corrente de água

Que havia

No meio dos campos verdes

Em frente da minha janela,

Do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Na minha aldeia,

Não sabia para onde corria.

 

Apenas sabia

Que naquela corrente de água

Que havia

No meio dos campos verdes

Em frente da minha janela,

Do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Na minha aldeia,

Que vinha não sei de onde,

Que ia não sei para onde,

Vivia as minhas aventuras marinheiras.

 

Hoje

Penso que sei

Que aquela corrente de água

Que havia,

No meio dos campos verdes,

Em frente da minha janela,

Do outro lado da estrada,

Onde ficava a minha casa,

Na minha aldeia,

Que vinha não sei de onde,

Que ia não sei para onde,

Levava-me sem saber

Para além do mar.

Zé Onofre

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub