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Dia de Hoje

Dia de Hoje

14
Mai22

Comentário 266

Zé Onofre

               266

 

022/05/14

 

Sobre o texto Tranquilidade, por Alice Alfazema, em 022/05/09, no blog alicealfazema.blogs.sapo.pt

 

Um cão mansamente,

Em marcha ziguezagueante

Farejando de um lado para o outro,

Tenta descobrir um mistério

Que não está ao alcance

De humanos obliterados

Pela contagem do tempo.

 

Árvores de braços verdes,

Numa imitação de aves,

Içam-se ao azul

Nas aragens quentes.

 

Mais longe,

Árvores brilham á luz do sol

Imitando luzeiros acesos

Nas noites escuras.

 

Alguns humanos circulam

Aparentemente sem rumo

Como que perdidos no tempo

Há procura de um destino

Que não sabem qual é

Tão confusos que andam.

  Zé Onofre

07
Mai22

Dia de hoje 45

Zé Onofre

                 45

 

022/05/07

 

O meu primeiro dia

De preto e amarelo vestida,

Foi o dia mais especial da minha vida.

 

Antes de sair tive mil cuidados.

Alisei o meu fato aveludado

Muito pormenorizadamente

Com a penugem das minhas patas.

 

A seguir passeei a minha beleza

Pelo palácio.

As da minha idade olhavam-me,

Escondendo atrás do seu desdém,

A inveja do meu aspecto

Tão limpo, elegante e deslumbrante.

 

As mais velhas olhavam-me

Com um ar nostálgico

Rememorando certamente o seu dia primeiro.

 

Coloquei-me no varandim do palácio.

Iniciei o meu voo com as pernas a tremer,

O que não me impediu de fazer,

Antes de me aventurar pelo azul,

Um voo rasante ao tapete verde.

As novas já se riam do meu fiasco,

Enquanto as mais práticas bateram as patas

Quando me viram elevar,

Com graciosidade, por sobre as flores,

As árvores quase a florir,

Até o jardim mais próximo.

 

Lá havia pessoas sentadas em bancos.

Umas dormitavam cabeceando o jornal.

Outros enfronhados na leitura,

Não estavam ali.

Alguns olhavam o céu sonhador,

Enquanto os enamorados se beijavam,

Também eles longe dali.

 

De uma estátua de pedra,

Retrato de um menino a mijar,

Caía água que enchia um lago.

Neste, meninos a sério, em cuecas,

Refrescavam-se na água esverdeada,

Por entre as algas que flutuavam

Ondulantes pelosseus mergulhos.  

Poisei no menino de pedra, dessedentei-me.

Levantei novo voo,

Dei uma volta àquele jardim encantado,

Parti para nova viagem pelo desconhecido.

Em cada canto havia algo de misterioso,

Para a minha inexperiente vida,

Onde me perdia extasiada.

 

Quando regressei ao meu palácio,

Parei no varandim

Olhando para além do relvado,

Já com saudades daquela bela viagem.

Quando me preparava para entrar,

Todas apreciavam as minhas pernas

Com ar de espanto.

Será que são assim tão belas,

Interroguei-me intrigada.

 

As minhas pernas estavam tão limpas

Como no momento da partida,

O que era um escândalo.

Deveria ter regressado

Com elas gordas de pólen,

E pesada do estômago carregado de néctar.

Mostrei-me falsamente envergonhada,

Porém com a cabeça repleta de memórias

Que me acompanham até hoje.

Zé Onofre

06
Out21

Dia de Hoje 8

Zé Onofre

                  8

 

2021/10/06

 

Há alguns anos

Sentava-me num banco

A falar com Pascoaes

De bronze.

 

Curioso perguntei,

Àquele bronze,

De olhar sempre posto

No pequeno horizonte que lhe deram,

Que via ele

Para além do casario.

 

Uma resposta

Caiu no meu pensamento.

Que não olhava o casario,

Apenas mirava no céu

As imagens sem fim

Que o vento desenhava

Com as nuvens

No infinito azul.

 

Deitei-me naquele banco,

Onde depois me deitei muitos outros dias.

Vi Veleiros,

Vi leões, hipopótamos, elefantes,

Continentes, ilhas, penínsulas, nações,

Deuses, anjos e demónios,

Rostos e máscaras.

Todas estas imagens

Pintadas do cinzento-escuro ao claro

Por um vento forte,

Ou por ligeira brisa.

 

Num dos anoiteceres,

De Domingo, após Domingo,

Vi,

Entre pequenos farrapos cinzentos,

Pétalas derramadas por planta incógnita,

Um corpo humano.

 

Não estava colorido

De branco e cinza

Como as outras imagens.

Era rosa-transparente

Colorido pelo sol-poente.

Tão translúcido,

Tão transparente,

Que se via,

Por entre a matéria do corpo,

O sofrimento imenso

De uma alma profunda.

  Zé Onofre

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