Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Dia de Hoje

Dia de Hoje

02
Ago22

Parte VI - O fascismo com os corninhos ao sol 29

Zé Onofre

                   29

 

022/08/02

 

NEM ESTATUA, NEM MONUMENTO, NEM HOMENAGEM, Rui Gonçalves

 

  1. A um traidor à pátria e à democracia, como Vasco Gonçalves.

 

Viva o Vasco Gonçalves, grande general,

Que foi traidor à pátria e democracia

Dos que pensavam que a merda seria igual

Apenas o enxame de moscas mudaria

 

  1. Uma tal associação “Conquistas da Revolução”.

 

Que bom que ainda haja, em Portugal

Homens honrados, plenos de gratidão,

Que não se intimidam com os servos do Capital

E não deixam esquecer os homens da revolução.

 

  1. Dos instintos ditatoriais da extrema-esquerda comunista.

 

Porque era inimiga da exploração capitalista pura e dura  

A direita inventou que a extrema esquerda comunista

Queria impor aos portugueses uma ditadura.

Porque para ela apenas servia a dita salazarista.

 

  1. Acompanhar a mais leve ideia de homenagear uma personalidade como Vasco Gonçalves.

 

Porque razão, poderia um saudoso salazarista

Acompanhar uma homenagem, ao laureado

Vasco Gonçalves, convicto anticapitalista?

Apenas serviria para ofender o homenageado.

 

  1. Quando o ditador comunista foi primeiro ministro de Portugal.

 

Quanto a esta frase enganou-se o escrevinhador.

Vasco Gonçalves comunista? É caso a considerar.

Se não é bom cartão de visita, também não é desprimor

Mas primeiro ministro ditador só o Caetano e Salazar.

 

 

  1. Colaborou afincadamente com o PCP no PREC, na tentativa de instauração de uma ditadura comunista em Portugal.

 

Eis outra refinada mentira do salazarismo servidor.

Para esta gente nada e criada nos ditames do Capital

Qualquer um que pusesse em primeiro o trabalhador

É porque queria impor o comunismo em Portugal.

 

  1. Nacionalizou os bancos e as seguradoras, as grandes empresas como a CUF, a LISNAVE.

 

Foi em março que tudo perderam, esses marmelos.

Foi naquele dia 11, em que o Spínola se revelou

Aliado, fiel servidor de Champalimaud e de Mellos 

Que tentaram restaurar a ditadura que abril derrubou.

 

De tal sorte ficou a coisa, com tão mau aspeto,

Que até Soares e Sá Carneiro seus amigos do peito,

Para não ficarem de mal com o povo, assinaram o decreto.

Porém, à espera do momento para os servir a preceito.   

 

  1. Também foi ele que deu cobertura à perseguição daqueles a que chamou de “capitalistas”, “fascistas”, “reacionários”,

 

Não vejo aqui coisa espantosa para admiração!

Que governo que se visse de gente ameaçado,

Não por argumentos, mas com armas na mão,

Não os tentaria agarrar para os meter na prisão?

 

  1. Ainda foi pela mão desse tal Vasco Gonçalves que se fez uma suposta “reforma agrária”, que visou tão somente roubar as terras aos legítimos proprietários.

 

Eis outra mentira de todo o tamanho, esta.

Para os salazaristas o povo só à força de cana 

Se defenderia da latifundiária, cruel e cobarde besta.

Ela só rosnava tendo por perto a PIDE e a Guarda Republicana.

 

Antes da reforma agrária feita por arrojados rurais,
Os pretensos donos dos latifúndios abandonados,
Jogavam nos casinos chiques de Estoril e Cascais,                                                                        Os subsídios e empréstimos a juros quase dados.

 

  1. Foi exatamente ele que começou a destruição da economia nacional, na indústria, na agricultura e nos serviços.

 

Os Mellos, Champalimaud e outros, sem surpresas.

Saltaram a fronteira com malas bem recheadas

Com as notas que sacaram das suas empresas

Para lá de longe se queixarem que foram saqueadas.

 

Mentirosos compulsivos, sabem muito bem

Que estaleiros navais e siderurgia nacional

Só depois de os antigos monopolistas voltarem,

Foram fechadas por ordem do Capital.

 

Não só a agricultura, as pescas viraram cacos.

Mas esse pecado jamais seria do Vasco, General.

Se bem me lembro, foi um tal de Cavaco,

Que as vendeu, por tuta e meia, à Europa do Capital.

 

  1. Mas foi ainda Vasco Gonçalves, um dos que abandonou, a pretexto da tal “descolonização”, os muitos milhares de portugueses que nas chamadas ex “colónias."

 

Mais uma frase cheia da salazarista pronúncia.

Carregada de um saudosismo cheio de rancor.

Que ainda chamava às colónias, províncias,

E que Portugal era só um, do Minho a Timor.

 

E os colonizadores que fizeram mal a colonização

Atiram-se contra aqueles que deram muito tempo

Ao colonizador para chegar a uma digna solução.

E o colonizador acabou por o perder no vento.

 

Assim o poder colonizador que adiou, 

Acusa quem por força da dura realidade

Teve que descolonizar no tempo que restou,

O que o salazarismo teria feito com tranquilidade.

 

Dizer que quem abandonou os portugueses à sua sorte

Foi o Governo do Vasco Gonçalves é porque esqueceram

Que eles saíram de cá fugidos à fome e à morte.

Se com a descolonização voltaram como foram

 

E por lá deixaram o produto de uma vida,

A culpa é também um pouco deles próprios.

Seguiram o poder colonial sem qualquer dúvida,

E em vez de semear a igualdade, semearam ódios.

 

  1. Por acaso a ditadura comunista não foi instaurada, porque na altura um punhado de gente de bem.

 

Gente de bem que, para derrotar o comunismo,

E não uma ditadura como nos têm dito,

Estavam dispostos a pedir ao Franquismo

Que invadisse Portugal com o seu exército.

 

Porém tal não foi preciso. Bastou soprar o medo

Visceral vivo em Fátima. Com Soares a comandar,

Aliado de Frank Carlucci, o do golpe chileno,

E dos franco$ e marco$ sempre a entrar.

 

  1. Vasco Gonçalves, como outros, são das figuras mais sinistras da democracia portuguesa.

 

Este liberalismo enroupado de democracia

Vê  em Vasco Gonçalves o “inimigo ancestral”.

Pois ele, como se tocado pelo dom da profecia,

Viu que ela descambava na ditadura do Capital.

 

  1. "Vasco Gonçalves era um antidemocrata do mais refinado e criminoso."

 

Eles têm um falar velho, como se tratassem   

De novidades. Os que lutassem contra o Salazar,

E seus acólitos, que anónimos se chamassem,

Sabiam que era a tortura e a Caxias, iam parar.

 

Saudosos da ditadura, de meios sentem mingua.

De meios para poderem perseguir, torturar e prender.

Segregam, agora,  o veneno acumulado na língua

Durante os anos em que tiveram de se esconder.

 

 «Homem de um só parecer

Dum só rosto, uma só fé,

De antes quebrar que torcer,

Ele tudo pode ser,

Mas de corte, homem não é.».

– Sá de Miranda. –  

 

Assim foi Vasco Gonçalves. 

  Zé Onofre 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub