Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Dia de Hoje

Dia de Hoje

15
Ago22

Dia de hoje 58

Zé Onofre

               58

 

022/08/15

 

Sinto que fui

O que já não sou.

Sinto que sou

O que não sonhei ser.

 

Não “por erros meus e amor ardente”,

Simplesmente porque o não soube ser.

 

Não o sou.

Porque sonhei mais além

Mais além do que a vida o permitiria?

 

Não o sou

Por não soube contruir as ferramentas

Que o caminho ao sonho abriria?

 

Sei que fui

O que já não sou.

Sinto que não sou

O que sonhei ser.

 

Agora sei

Que por mais fortemente que o deseje,

Mesmo que o que sonhei

Não tenha sido o querer mais além

Do que a vida o permitiria.

Mesmo que construa hoje as ferramentas

Que o caminho ao sonho abra,

Sinto que o tempo, dos sonhos a fazer, se acaba.

 

Agora sei que me resta sonhar

Que o que desejei ser,

Não se desfaça em ar.

Desejo fortemente

Que o que sonhei ser

Apesar de se não ter realizado,

Por ter sonhado mais além,

Ou por não ter sabido usar as ferramentas,

Não seja esquecido.

 

Desejo fortemente

Que  haja alguém

Que se lembre que sonhei

Um futuro que fosse mais além

Do que a vida que vivi. 

12
Ago22

Comentário 293

Zé Onofre

 

                  293

 

022/08/12

 

Sobre Sussurros da Minha Alma, Fátima Ribeiro, 09, AGO, 22, em sussurrosdaminhaalma.blogs.sapo.pt

 

O que vejo no espelho?

A minha imagem.

A real?

A distorcida?

Um caminho para o país das maravilhas de Alice?

Um caminho plano sem horizontes e sem surpresas?

Ou vislumbro o meu caminho?

Com colinas, ribeiros, montes?

Com areais, ondas, fragas e marés?

Com quedas e ergueres, sem nunca desistir?

Que vejo no espelho?

O que sou?

O que desejaria ter sido?

Vejo apenas neblinas,

Mais ou menos densas,

Mais ou menos transparentes.

O que sou nunca verei.

  Zé Onofre

 

 

11
Ago22

Comentário 292

Zé Onofre

                  292  

 

022/08/07

 

Sobre Outono, após Outono ,07.08.22, Tao Somente, taosomente.blogs.sapo.pt/

 

O Outono

Guarda no seu interior,

Com carinho e leveza,

A Primavera e o Verão

Prenuncia o Inverno 

Que vem já na próxima curva.

 

Da primavera, 

Guarda-me o aroma das flores

Nos saborosos frutos silvestres

E nos dos pomares, também.

Do Verão termina a pintura

Que aquele atabalhoado iniciou

Com verdes queimados.

Pega naqueles estragos

Transforma-os em 

Vermelhos-castanhos-amarelos-cor de fogo-arco iris.
Do Inverno

Inicia os cinzentos

Ainda transparentes das névoas.
Inicia o frio

Com as aragens frescas que descem da serra.

O Outono acolhe-me no seu seio

Com mantas de retalhos

Da vida vivida durante anos.

  Zé Onofre

08
Ago22

Comentário 290

Zé Onofre

                    290 

 

022/08/08

 

Sobre O peso da vida, 05.08.22, Isabel Silva, imsilva.blogs.sapo.pt/

 

Comecei o caminho de pés descalços.

Depois de começada apenas terá fim na morte natural, ou mais cedo num qualquer fortuito acidente.

Mas farei o caminho.

Com ânimo ou desânimo.

Com alegrias, ou com tristezas.

Com passos lentos e seguros.

Com passos lentos e distraídos perdidos do mundo.

Com passo apressado, convencido que alcançarei mais cedo.

Em terreno livre de tropeços.

Em terrenos cheios de perigos escolhendo onde pôr os pés.

Em terrenos íngremes, difíceis de subir e perigosos de descer.

Mas chegarei ao fim da caminhada com uma só certeza.

Ou fiz o meu caminho,

Ou fiz o caminho que me traçaram.

   Zé Onofre

08
Ago22

Dia de hoje 57

Zé Onofre

              57

 

022/08/08

 

Sou ave desgarrada.

Sou vento sem direção.

Sou rio seco de emoção.

Sou rocha caída ao acaso.

Sou campo semeado de nada.

Sou monte sem horizonte.

Sou sol sem nascente e ocaso.

Sou fonte que não sacia.

Sou árvore frondosa sem ninhos.

Sou arvoredo sem passaredo.

Sou peregrino sem destino nem fé.

Sou marinheiro sem barco, rio ou mar.

Sou caminhante de passos trocados ao passar.

Sou palavra muda em papel branca.

Sou raiva perdida por achar.

Sou sem luz sem sombra para projetar.

Sou solidão entre os meus fantasmas.

Sou som por pronunciar.

Sou um eterno vaguear sem mundo para caminhar.

  Zé Onofre

07
Ago22

Comentário 289

Zé Onofre

                  289  

 

022/08/07

 

Sobre, MORREM OS INOCENTES... Manuel NunesFrancisco, 05.08.22, francisfotopoesiaeimagem.blogs.sapo.pt

 

Olhando o campo, no final de cada guerra,

Há montes de carne espalhada pelo chão.

Os Senhores ficaram mais donos da Terra.

O povo, esse, morrerá soldado ou sem pão.

06
Ago22

Comedntário 288

Zé Onofre

              288 

 

022/08/06


Sobre Nós Somos... Mo, 23.07.22, mosilva.blogs.sapo.pt/

 

Se por um momento paro

Para pensar o que faço por aqui,

Com outros pensamentos me deparo.

– Quem é este que anda por cá e por aí.

 

Tento, então, relembrar, com raro

Prazer, os tempos idos que vivi.

Nesses breves instantes reparo

Que juntas trago com quem os fruí.

  

Não aparecem todos de uma vez,

Depende do lugar e acontecimento.

Algumas, acompanham-me dois ou três

 

Outras, é um autêntico ajuntamento.

Concluo, então, que na minha pequenez

Sou um rio que carrego, de gente, fragmentos.

  Zé Onofre

02
Ago22

Parte VI - O fascismo com os corninhos ao sol 29

Zé Onofre

                   29

 

022/08/02

 

NEM ESTATUA, NEM MONUMENTO, NEM HOMENAGEM, Rui Gonçalves

 

  1. A um traidor à pátria e à democracia, como Vasco Gonçalves.

 

Viva o Vasco Gonçalves, grande general,

Que foi traidor à pátria e democracia

Dos que pensavam que a merda seria igual

Apenas o enxame de moscas mudaria

 

  1. Uma tal associação “Conquistas da Revolução”.

 

Que bom que ainda haja, em Portugal

Homens honrados, plenos de gratidão,

Que não se intimidam com os servos do Capital

E não deixam esquecer os homens da revolução.

 

  1. Dos instintos ditatoriais da extrema-esquerda comunista.

 

Porque era inimiga da exploração capitalista pura e dura  

A direita inventou que a extrema esquerda comunista

Queria impor aos portugueses uma ditadura.

Porque para ela apenas servia a dita salazarista.

 

  1. Acompanhar a mais leve ideia de homenagear uma personalidade como Vasco Gonçalves.

 

Porque razão, poderia um saudoso salazarista

Acompanhar uma homenagem, ao laureado

Vasco Gonçalves, convicto anticapitalista?

Apenas serviria para ofender o homenageado.

 

  1. Quando o ditador comunista foi primeiro ministro de Portugal.

 

Quanto a esta frase enganou-se o escrevinhador.

Vasco Gonçalves comunista? É caso a considerar.

Se não é bom cartão de visita, também não é desprimor

Mas primeiro ministro ditador só o Caetano e Salazar.

 

 

  1. Colaborou afincadamente com o PCP no PREC, na tentativa de instauração de uma ditadura comunista em Portugal.

 

Eis outra refinada mentira do salazarismo servidor.

Para esta gente nada e criada nos ditames do Capital

Qualquer um que pusesse em primeiro o trabalhador

É porque queria impor o comunismo em Portugal.

 

  1. Nacionalizou os bancos e as seguradoras, as grandes empresas como a CUF, a LISNAVE.

 

Foi em março que tudo perderam, esses marmelos.

Foi naquele dia 11, em que o Spínola se revelou

Aliado, fiel servidor de Champalimaud e de Mellos 

Que tentaram restaurar a ditadura que abril derrubou.

 

De tal sorte ficou a coisa, com tão mau aspeto,

Que até Soares e Sá Carneiro seus amigos do peito,

Para não ficarem de mal com o povo, assinaram o decreto.

Porém, à espera do momento para os servir a preceito.   

 

  1. Também foi ele que deu cobertura à perseguição daqueles a que chamou de “capitalistas”, “fascistas”, “reacionários”,

 

Não vejo aqui coisa espantosa para admiração!

Que governo que se visse de gente ameaçado,

Não por argumentos, mas com armas na mão,

Não os tentaria agarrar para os meter na prisão?

 

  1. Ainda foi pela mão desse tal Vasco Gonçalves que se fez uma suposta “reforma agrária”, que visou tão somente roubar as terras aos legítimos proprietários.

 

Eis outra mentira de todo o tamanho, esta.

Para os salazaristas o povo só à força de cana 

Se defenderia da latifundiária, cruel e cobarde besta.

Ela só rosnava tendo por perto a PIDE e a Guarda Republicana.

 

Antes da reforma agrária feita por arrojados rurais,
Os pretensos donos dos latifúndios abandonados,
Jogavam nos casinos chiques de Estoril e Cascais,                                                                        Os subsídios e empréstimos a juros quase dados.

 

  1. Foi exatamente ele que começou a destruição da economia nacional, na indústria, na agricultura e nos serviços.

 

Os Mellos, Champalimaud e outros, sem surpresas.

Saltaram a fronteira com malas bem recheadas

Com as notas que sacaram das suas empresas

Para lá de longe se queixarem que foram saqueadas.

 

Mentirosos compulsivos, sabem muito bem

Que estaleiros navais e siderurgia nacional

Só depois de os antigos monopolistas voltarem,

Foram fechadas por ordem do Capital.

 

Não só a agricultura, as pescas viraram cacos.

Mas esse pecado jamais seria do Vasco, General.

Se bem me lembro, foi um tal de Cavaco,

Que as vendeu, por tuta e meia, à Europa do Capital.

 

  1. Mas foi ainda Vasco Gonçalves, um dos que abandonou, a pretexto da tal “descolonização”, os muitos milhares de portugueses que nas chamadas ex “colónias."

 

Mais uma frase cheia da salazarista pronúncia.

Carregada de um saudosismo cheio de rancor.

Que ainda chamava às colónias, províncias,

E que Portugal era só um, do Minho a Timor.

 

E os colonizadores que fizeram mal a colonização

Atiram-se contra aqueles que deram muito tempo

Ao colonizador para chegar a uma digna solução.

E o colonizador acabou por o perder no vento.

 

Assim o poder colonizador que adiou, 

Acusa quem por força da dura realidade

Teve que descolonizar no tempo que restou,

O que o salazarismo teria feito com tranquilidade.

 

Dizer que quem abandonou os portugueses à sua sorte

Foi o Governo do Vasco Gonçalves é porque esqueceram

Que eles saíram de cá fugidos à fome e à morte.

Se com a descolonização voltaram como foram

 

E por lá deixaram o produto de uma vida,

A culpa é também um pouco deles próprios.

Seguiram o poder colonial sem qualquer dúvida,

E em vez de semear a igualdade, semearam ódios.

 

  1. Por acaso a ditadura comunista não foi instaurada, porque na altura um punhado de gente de bem.

 

Gente de bem que, para derrotar o comunismo,

E não uma ditadura como nos têm dito,

Estavam dispostos a pedir ao Franquismo

Que invadisse Portugal com o seu exército.

 

Porém tal não foi preciso. Bastou soprar o medo

Visceral vivo em Fátima. Com Soares a comandar,

Aliado de Frank Carlucci, o do golpe chileno,

E dos franco$ e marco$ sempre a entrar.

 

  1. Vasco Gonçalves, como outros, são das figuras mais sinistras da democracia portuguesa.

 

Este liberalismo enroupado de democracia

Vê  em Vasco Gonçalves o “inimigo ancestral”.

Pois ele, como se tocado pelo dom da profecia,

Viu que ela descambava na ditadura do Capital.

 

  1. "Vasco Gonçalves era um antidemocrata do mais refinado e criminoso."

 

Eles têm um falar velho, como se tratassem   

De novidades. Os que lutassem contra o Salazar,

E seus acólitos, que anónimos se chamassem,

Sabiam que era a tortura e a Caxias, iam parar.

 

Saudosos da ditadura, de meios sentem mingua.

De meios para poderem perseguir, torturar e prender.

Segregam, agora,  o veneno acumulado na língua

Durante os anos em que tiveram de se esconder.

 

 «Homem de um só parecer

Dum só rosto, uma só fé,

De antes quebrar que torcer,

Ele tudo pode ser,

Mas de corte, homem não é.».

– Sá de Miranda. –  

 

Assim foi Vasco Gonçalves. 

  Zé Onofre 

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub