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Dia de Hoje

Dia de Hoje

21
Jan22

Fora de numeração

Zé Onofre

Sr. Director
Ninguém pediu a minha opinião sobre as eleições legislativas do próximo di 30 de janeiro.
Mesmo assim, como cidadão interessado e no pleno uso dos seus direitos civis e políticos, vou publicar a reflecção qu fiz sobrfe as mesmas. Vou publicá-las por duas razões. A primeira para desabafar o que me vai no pensamento; a segunda pode ser que, numa hipótese remota, aproveite a outrem.
Vou expor a mecditação que fiz como reflecti. Através de perguntas e respostas.

Qual á a finalidade do meu voto no próximo dia 30?
- Através do meu voto vou eleger deputados, pelo circulo eleitoral onde resido, e proposto pela lista partidária que escolhi.

Como se forma, então o novo Govedrno?
- O próximo Governo resulta da vontade dos deputados eleitos.
O Presidente da República de acordo com os resultados eleitorais convida o dirigente máximo do Partido mai votado (ou uma personalidade por esse partido indicado) a formar governo.
a) Se o partido mais votado tem metade dos votos +1 (neste caso 115+1) terá o apoio da maioria dos deputados e não terá dfificuldades em formar Governo. Se este partido quiser reforçar o apoio parlamentar poderá negociar com outros partidos.
b) O partido mais votado não chega aos 116 deputados.
Este partido tenta obter um acordo com outros partidos para formar governo.
Pode ser um acordo de Coligação - os partidos que chegaram a acordo têm Gministros e ou secretários de estado no Governo.
Pode ser um acordo de apoio parlamentar. Alguns partidos acordam com o Partido mais votado certas medidas dos seus programas e apoiarão o Governo nos casos essenciais para a continuidade do Governo.
Pode ser um Governo minoritário que vai negociando medida a medida com todos os deputados.
c) Se o partido mais votado não conseguir chegar a uma destas soluções então o Presidente da República convida o segunfdo partido mais votado a formar Governo. Seguem-se os medmos procedimentos antetriores.

Somos obrigados a votar em uma lista?
Não.
Podemos optar por não ir votar.
Na mesa de voto podemos dobrar a folha de voto sem qualquer indicação de partido - voto em branco; riscar o boletim de voto de cima abaixo - voto nulo; votar numa só lista partidária - voto válido.

O que é o voto de protesto?
Muitos pensam que
- a abstenção é um voto de protesto.
- votar em "chamados" pequenos partidos.

Afinal o que é o voto de prtotesto?
Nenhuma das hipóteses anteriores é um voto de protesto. Aliás creio que não há votos de protesto. Há votos conscientes.
A abstenção não é ptrotesto, não é nada. É deixar nas mãos dos outros o nosso destino.
Votar em qualquer partido não se vota contra - se protesta - nenhum partido, vota-se a favor do partido que se escolheu.
Votar branco ou nulo são votos conscientes e escolhas livres de quem não se sente representado em nenhum partido que se apresenta a eleições.

O que é o voto útil?
Voto útil é uma invenção de quem tenta diminuir as escolhas dos eleitores para angariar votos assente numa mentira - reduzir as eleições legislativas à "eleição" do Primeiro Ministro que, como já mostrei apenas elegemos deputados e estes escolhem o Primeiro Ministro e dão apoio às medidas do Governo.
O grave na questão do "voto útil" é que é uma mentira manipuladora a que a maiortia de Jornalistas e Comentadores, não cumprindo a sua missão de informar, ampliam e justificam sem suporte legal.
Assim entendo que o verdadeirto voto útil é o voto livre e conciente na lista partidária que mais se identifica connosco, independentemente do número de votos que consiga.
Por mais que os partidos A e B digam nós é que podemos governar, esqueçam os outros e votem ou num ou noutro, mas votem em mim diz igualmente o partido A e B, secundadados por uma imprensa submissa e obrigada.
Voto útil é cantiga de engana meninos e come-lhe o bolo.
O voto útil é aquele em que voto com consciência sobre o partido que merlhor responde às minhas ideias sobre o que penso e que quero para o meu país.

Que mais está em jogo para além da eleição de deputados?
Às eleições do próximo dfia 30 apresentam-se diversos partidos que têm uma ideologia e uma ideia sobre o que pretendem para o País. Vou agrupá-los sob uma ideia geral mas sem nomear quem se entrega em cada grupo.
Grupo A
Partidos qaue defendem o regresso ao passado do Salazarismo/Caetanismo, com redução da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão, xenófobos, racistas, e que desprezam e excluem os mais desfavorecidos da sociedade chamando-lhes sanguessugas dosd contribuintes. Desprezo pelos direitos laborais e das minorias rderligiosas, culturais ou origem.
Grupo B
Há partidos que querem reduzir o Estado a três funções
- Policiais sergurança em defesa da propriedade e das pessoas, por esta ordem.
- Tribunais.
- Defesa - cumprir os acordos militares com potências estrangeiras - OTAN - ed com o nosso mais verlho aliado - A Inglaterra - nem que uma e outra vão contra a ordem a lei internacional e ajam de modo unilateral.
- Desprezo pelos direitos laborais conserguidos em acortdos colectivos de trabalho. Defenxsores de acordos individuais der contratação em quer o trabalhador individual está nitidamente em inferioridade nergocial.
- Privatização de todos os serrviços sociais - Educação, Saúde, Segurança Social - reforma, abonos de família, subsídio de desemprego, ...
- Privatização dos lucros.
- Exigir do Estado apoios em casos de crise económica - socialização dos prejuízos.
Para além desta função de garantia da Iniciativa Privada ter uma vertente caritativa para fazer de conta que os excluídos do liberalismo têm garantias de saúdede, ensino e habitação em bairros sociais longe dos Condomínios de Luxo.
Grupo C
Partidos que se consideram as colunas da democracia que temos.
Para estes partidos o que é necessário uma correcçãso mais à frente, mais atrás, mais à direita, mais à esquerda de acordo com o dirigente do momento.
Grupo D
Partidos que defendem que esta democracia é uma boa base para se avançar para uma democracia em que as diferenças sociais e económicas se reduzam - cada vez menos ricos muito ricos e cada vez menos pobres muito pobres, a caminho de uma sociedade em que todos terão direrito a usufruir igualmente da riqueza produzida.
Grupo E
Partidos qaue aproveitam esta oportunidade eleitoral para divulgarem o que desejam para mudar e como chergar lá. Normalmente são partidos que a imprensa deixa no esquecimento faendo de conta que eles não existem ed que é pertigoso di vulgar os seus planos para mudar radicalmente de regime - A revbolução.
Depois desta longa reflecção cheguei às seguintes conclusões.
- Decididamente elegemos deputados.
- Não há votos de protesto.
- Todos os votos são úteis desde que de acordo com a minha consciência.
- A abstenção, não derivada por motivos ponderosos, é um lavar der mãos.
- Com o meu voto decido o tipo de regime erm que quero viver.
Desculpem-me se fui longo, mas penso que a tentativa de ser claro assim mo exigiu.
Zé Onofre

07
Jan22

Dia de hoje 23

Zé Onofre

              23

 

022/01/07

 

Ontem segui os meus passos.

Deixei-me guiar

Por caminhos dos meus olhares.

Parei frente à janela

Da “moleirinha”,

Do “ai há quantos anos…”,

Da “velha, da cabaça e do lobo”,

Das noites escuras estreladas,

Dos campos verdes a bordejar de água,

Dos milheirais amarelecendo,

Do fio de água

Feito lago grande

Presa num muro de pedra feito barragem.

 

Os meus olhares,

Que foram atrás dos meus passos,

Ainda tentam ver

Nos recantos do passado

Os meus amigos da escola e da catequese.

 

Meus companheiros,

Do alvorecer da vida,

A serpentear por entre os pés de milho,

A mergulharmos nus,

Ou em cuecas,

Naquele eterno lago,

Que o fio ténue de água

Descendo do alto da encosta

Vem alimentar.

 

Num outro quadro do passado

Vislumbro-me aninhado ou dobrado

Com os meus amigos de brincadeiras  

Nas bordas daqueles campos  

Que rodeavam aquele fio de água –

Que regará campos,

Moverá moinhos.

Rodas de fabriquetas,

Antes de se atirar ao mar

Depois de acompanhar rabelos –

A apanhar uns frutinhos vermelhos

Perfumados de aroma silvestre,

Morangos tão saborosos,

Mil vezes mais saborosos

Do que os enormes e vistosos,

Nascidos no mimoso cativeiro das estufas.

  

O nevoeiro do passado levanta-se.

São agora os meus olhos tristes

Que escorrem água salgada

Para o lago-memória

Que trago em mim.

 

Meus companheiros

De escola e catequese,

Meus amigos recolectores de frutos silvestres,

Mataram aquele fiozinho de água,

Onde no verão refrescávamos os corpus nus,

Apenas cobertos pelos milheirais.

As pequenas encostas,

Onde cresciam livres,

Saborosos e perfumados morangos.

Aquele fiozinho de água

Que levava misturado  os nossos risos,

Através de campos,

Moinhos,

Fabriquetas,

A acompanhar rabelos até se dissolver no mar.

  

Meus companheiros

De escola e catequese

Mataram aquele regatinho

Onde ontem sonhávamos aventuras.

Hoje, aquele leito que foi de água corrente,

É uma parada linha negra,

Por onde passam correndo

Pessoas, prisioneiras de máquinas,

Com destino marcado

Sem tempo para sonhar.

   Zé Onofre

 

31
Dez21

Dia de hoje 22

Zé Onofre

A todos quantos passarem por aqui, e aos que por aqui não passarem, que façamos o próximo Ano melhor do que este.

  Zé Onofre

                   22

 

021/12/31

 

Hoje é noite de cantar as Janeiras,

De ir de porta em porta,

Por caminhos velhos,

Ou não tão velhos como isso.

Velhos por perdidos

Nos meandros do passado.

 

Crianças, afinadas umas,

Outras nem tanto nas suas ilusões,

Param as passadas

À porta dos mais “ricaços”,

A desejarem Bom Ano Novo

Em troca de uns tostões.

 

Começava o mais afinado,

Ou talvez o mais desenrascado,

Seguido pelo coro mais ou menos desafinado.

– O céu é para as estrelas,

O jardim para as flores,

No meio deste terreiro

Boa noite meus senhores. –

 

Uma pausa

Para acalmar o nervosismo

Para depois se prosseguir

Com redobrada energia

Naquela noite tão fria.

– Quem diremos nós que viva                   

No seu fato de veludo

Viva lá o senhor ……..

Com a sua bolsa acode a tudo.

 

Quem diremos nós que viva

Na pelezinha da raposa,

Viva lá a dona ……

Que é uma santa esposa.

 

Quem diremos nós que viva

Na folhinha do codesso,

Viva toda a outra gente

Que por nome não conheço. –

 

Nova pausa para respirar

E descansar a voz esganiçada.

O rapaz do saco chega-se à porta,

É a hora do tudo ou nada.

– O céu é para as estrelas

O jardim para os botões,

No meio deste terreiro

Deitai alguns tostões. –

 

Seguia-se uma longa espera

Espreitando a porta fechada.

Há uma fresta com luz,

Uma mão que se mete no saco.

Alegre a malta canta a plenos pulmões.

– O céu é para as estrelas,

O jardim para as flores.

No meio deste terreiro

Muito obrigado, meus senhores. –

 

O rancho animado

Parte para outro terreiro.

 

Já o dia vai raiando  

Quando o grupo cansado,

Se senta no adro da igreja

A dividir o “tesouro” arrecadado.

 

Acaba assim em alegria

A última noite do Ano Velho.

Com data já marcada

Para o fim do Novo ano.

   Zé Onofre

29
Dez21

Dia de Hoje -3

Zé Onofre

             -3

 

021/07/22

 

Já não sei.

Continuo a pensar

Naquele homem,

De há dois mil e quinhentos anos,

Ou há cinquenta,

Ou mesmo ontem,

Ou no dia em que o conheci

Ouvindo repetidamente

– Só sei que nada sei. –

-3b.jpg

Esse homem,

Por ser sábio,

Tinha a certeza de ser ignorante

– Só sei que nada sei. –

Continuei arrogantemente a ter certezas.

Continuei arrogantemente a caminhar

Por veredas que sabia serem

As certas indubitavelmente.

 

Há já tempos, vinda de não sei onde,

Talvez do fundo do passado,

Ressoa na minha cabeça aquela frase

– Só sei que nada sei –

Perscruto-me

E pergunto-me

– Por que não soube ouvir? –

Hoje, passados tantos anos,

A caminhar trilhos, talvez incertos,

À procura da Verdade,

Seja lá o que isso for,

Continuo à procura de um raio de luz,

De uma porta para sair,

Ou apenas uma brecha para me escapulir.

Apenas não a encontro

Porque não existe,

Ou porque tanto me enredei

Que a cada passo que dou

Mais me afasto?

    Zé Onofre

28
Dez21

Dia de hoje -4

Zé Onofre

             -4

 

021/05/19

 

Nestes dias de desconforto

Físico,

Mental,

Social,

Afectivo.

Nestes dias de desconforto

Nada,

Vazio,

Rotina,

Apatia.

.Dias 4Scan.jpg

Nestes dias de desconforto

Nem longe,

Nem perto,

Nem Horizonte,

Nem aquém,

Nem mais além.

Nestes dias de desconforto

Nem dia,

Nem noite,

Nem sonhos,

Nem pesadelos.

Nestes dias de desconforto

Individual,

Social,

Comunitário,

Político.

Nestes dias de desconforto

Voo sobre o nada,

Rios parados,

Montes sem vistas,

Janelas despovoadas.

Nestes dias de desconforto

Flutuação,

Sonambulismo,

Automatismo,

Ausência.

Nestes dias de desconforto

O dia não acaba,

A noite não começa,

Nem crepúsculos,

Nem auroras.

Nestes dias de desconforto

Há árvores plantadas em casa,

Lá fora apenas os seus reflexos.

   Zé Onofre

27
Dez21

Dia de hoje -1

Zé Onofre

               -1

 

2021/08/15

 

Procurar

Um local de fuga

Que me abrigue

Da agressividade gratuita,

Apenas por sentir diferente.

 

Há momentos

Felizes

Em que basta

Uma vista,

Um som ou ruído,

Cheiro ou toque,

Qualquer um deles, 

Nos pode transportar

Lá ao fundo

De onde vimos

E onde as raízes se mantêm

Vivas.

 

São os irmãos,

Os amigos,

Tão irmãos como os irmãos.

São os locais míticos,

Enormes na memória,

Que o tempo reduziu

Até a um ponto de luz,

Nos dias de hoje.

 

Aquelas elevações,

Um pouco mais salientes,

Mastros de vigia,

De gajeiros

À procura de novas Praias,

Que ficam lá longe,

À distância de um olhar.

 

Há momentos

Que me dói

Ir até lá

E não poder ficar.

     Zé Onofre

23
Dez21

Dia de hoje -2

Zé Onofre

                -2

 

2021/08/15

 

Às vezes,

O único caminho que resta,

É o caminho dos astros.

Sermos ginastas

Subir pelas cordas

De Luar.

Até à lua

Não,

Fica logo ali à esquina.

Saltar de raio de luar

Em raio estelar,

De raio em raio,

Seguir lá para onde

O Universo não tem limite.

Ir

E não voltar.

Ir

Ficar misturado,

Pó de estrela,

Na poeira estelar.

       Zé Onofre

22
Dez21

Dia de hoje 21

Zé Onofre

              21

 

021/12/22, Café Martins, Amarante             

 

               I

 

Hoje percorri

Em passo lento e desalentado

Antigos trilhos da juventude

 

Hoje, ao percorrer

Aqueles antigos trilhos,

Senti-me um trapo.

 

Senti-me um trapo

Velho, sujo e roto

Pelos atalhos que tomei.

 

Atalhos que tomei

Consciente ou inconsciente

Foram as vias que escolhi.

 

As vias que escolhi

Que me levaram tão longe

Do futuro que me imaginei.

 

Do futuro que me imaginei,

Sem peias, nem amarras,

Sem poiso, nem morada.

 

Sem poiso e sem morada,

Vagabundo da vida,

Vivendo o dia-a-dia.

 

Vivendo o dia-a-dia

Como se fosse o primeiro

De uma vida sempre a renascer.

 

Trilhos antigos que me levaram

A mirar o velho Tâmega,

Cemitério de sonhos mortos.

 

Trilhos antigos

De onde mirei velhos telhados,

Verde musgo de voos caídos.

 

Trilhos antigos

Atapetados de douradas folhas

Coberta leve de futuros mortos.

 

Trilhos antigos

Iluminados por relâmpagos

Que se evadem deste trapo roto.

 

Trilhos antigos,

Sonhos mortos,

Vida suspensa.

 

                II

    

Não sei onde pertenço.

A certidão de nascimento

Menciona uma localidade.

 

A experiência de vida

Diz-me que é mentirosa

A certidão de nascimento.

 

É mentirosa.

Sinto-me nascido

Numa localidade que não há.

 

Contudo sei que nasci

Naquela localidade inexistente,

A mais bela do mundo.

 

É atravessado,

De Norte para Sul por um fio

De água pura a pratear os campos.

 

De Sudoeste para Nordeste

Atravessa-a uma fita negra

Tecida a alcatrão.

 

A Oeste uma colina

Que rapidamente desce

Para um riacho.

 

A leste outra colina

Que, de salto em salto,

Se vai banhar no rio.

 

No seu Centro, descentrado,

Há uma escola

Que ensina os mistérios do Além.

 

No seu Centro, descentrado,

Situa-se a escola

Que ensina o aqui e agora.

 

No seu Centro, descentrado,

Um perfume doce exala-se

Das tílias que o ornamentam.

 

Nessa localidade inexistente,

Mas que é de tal grandeza

Que nenhum mapa a contém.

 

Lá, dei os primeiros passos.

Lá, disse a primeira vez pai e mãe.

Lá, dei a primeira risada.

 

Minha Terra tão querida.

Minha Terra tão bonita.

Minha Terra tão inexistente.

   Zé Onofre

20
Dez21

Dia de hoje 20

Zé Onofre

                   20

 021/12/20

Eu, minha Alteza Imperial,

Pela graça do Grão-Mestre

De toda a insanidade até o infinito,

Senhor de todas as galáxias,

Da Láctea e das outras aquém

E além buracos negros no espaço.

 

Eu senhor Absoluto de tudo o que mexe,

E não mexe no mundo conhecido,

E em outros desconhecidos e a conhecer,

Pela graça do Grão-Mestre

De toda a insanidade até o infinito,

Eu, D. Atolambado I,

No seu palácio de todas as estações,

Na sala do trono de todas as loucuras,

Com algumas faculdade físicas diminuídas,

Mas todas as faculdades da loucura intactas,

Faço saber a todos quantos isto lerem,

O seguinte e definitivo decreto sobre

A Época Oficial de oferta de Prendas.

 

Pelo poder que me foi conferido

Pela graça do Grão-Mestre

De toda a insanidade até o infinito

Decreto que –

1º Prendas poderão serão dadas por todos a todos.

2º Prendas poderão ser dadas por todos a si próprios.

3º Ninguém poderá ser molestado por ser prendado.

4º Ninguém poderá ser molestado por prendar outros.

5º Ninguém poderá ser molestado por se prendar.

6º As prendas poderão ser dadas todos os dias do ano.

    §Único. Os seguintes dias serão a excepção.

    Será proibida a troca de prendas entre –

    O primeiro dia do último mês do ano,

    E o último dia do primeiro mês do ano seguinte.

 

Assim eu, D. Atolambado I,

Na era pós calamidades,

Pela graça do Grão-Mestre

De toda a insanidade até o infinito,

No seu palácio de todas as estações,

Na sala do trono de todas as loucuras,

Assim o decreto o firmo, assino e confirmo.

      Por, D. Atolambado I

         Zé Onofre

 

16
Dez21

Dia de hoje 19

Zé Onofre

              19

 

021/12/16

 

                    I

 

Era uma vez uma menina.

Era uma vez uma mesa.

Era uma vez um frasco de cola.

Era uma vez uma parede.

 

                    II

 

Era uma vez uma menina …

Em casa, sozinha,

Sem nada para fazer.

Já tinha olhado

A paisagem além da janela.

Já tinha pegado num livro

Leu duas páginas e cansou-se.

Já tinha pegado em lápis,

Em tintas e pincéis.

Nem a pintura e o desenho

Lhe interessaram.

 

                    III

 

Era uma vez uma mesa.

Desanimada sentou-se à mesa.

Passou os olhos pelo quarto.

Nem a cama a seduzia.

A um canto um cesto de papéis

Esperavam a ordem de despejo.

Mais além, fora de lugar,

Um rolo de papel de cenário,

Esperava ordem de se arrumar.

Levantou-se pegou no rolo,

Inerte largou-o em cima da mesa.

 

                     IV

 

Era uma vez um frasco de cola.

A menina olhou-o por um momento.

De seguida mirou o rolo de papel.

Num canto da mesa uma tesoura.

No canto o cesto dos papéis.

Os seus olhos brilharam.

Desenrolou o papel.

Foi buscar o cesto dos papéis.

Pegou num dos papéis.

Uma tesourada, uma pincelada de cola.

Deitou-os, cada um no seu canto, do papel.    

 

                     V

 

Era uma vez uma parede.

Na mesa do quarto ia grande azáfama.

Uma menina tesourava e colava,

Na mesa o papel de cenário

Estava quase vestido de papéis.

Mais papel, menos papel e pronto.

Ainda havia papel nas mãos pegajosas.

Colou papel sobre papel, feliz com a sua obra.

O chão ladrilhado de papelinhos, que importava?

Faltava um último retoque, arrumar a sua arte.

Com todas os requintes pendurou-a na parede.

Zé Onofre 

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