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Dia de Hoje

Dia de Hoje

27
Out22

Dia de hoje 72- Canto triste VIII

Zé Onofre

              72

 

      Canto triste VIII

 

022/10/27

 

Trabalhador valoroso,

Onde o vais levar o trabalho

Que é tão esforçado,

Oh trabalhador?

 

Não vês que não és o último

Na enorme lista da procura?

Abre os olhos,

Oh trabalhador!

  

Abre os ouvidos bem abertos,

Que a cantiga que vais ouvir,

Não te iluda,

Oh trabalhador!

 

Não te deixes embalar nela,

Que perdido é horário e salário,

Só de ouvi-la,

Oh trabalhador!

 

Trabalhador valoroso,

Aida é tempo, vira o jogo,

Vira o jogo,

Oh trabalhador!

Zé Onofre

23
Out22

Comentário 300

Zé Onofre

                   300 

 

022/10/19

 

 Sobre Quantos e Tantos Mais, Lúcia Neves em 16.10.22, no mluciadneves.blogs.sapo.pt

 

Caminho pelas veredas da vida

Sem sombra de alguém

Que comigo queira

Cheirar as mesmas flores,

Gozar os mesmos raios de luz,

A luz cinzenta caída das nuvens,

A sombra frondosa dos carvalhos,

O frio da geada

Que nenhum sol derreteu.

 

Caminho pelas veredas da vida

Só.

Enquanto lanço perna atrás da perna,

Desfilam

Pelos meus sentidos

Ideias extravagantes

De sociedades onde há apenas pessoas,

Onde cada um tem “o necessário,

Estritamente o necessário”,

À maneira do urso Balu do Livro da Selva.

Uma sociedade

Onde cada um recebe o que precisa,

Dá o que tem.

Uma sociedade

Sem exploradores, nem explorados,

Onde as pessoas são o que são,

Não são o que têm.

 

Afinal os meus pés não tropeçam sós no caminho.

Na minha cabeça

Acompanha-me uma multidão de pessoas

Felizes

Que o meu pensamento criou.

 

Contudo uma pergunta

Me atormenta.

Será que não andarão por aí

Ideias a germinar 

Semelhantes às minhas

Que com ele queiram fazer caminho? 

    Zé Onofre

22
Out22

Comentário 299

Zé Onofre

B 299 ------- 294

 

022/10/05

 

Sobre,E tu, és insubstituível?, Lu, em aquihacoracao.blogs.sapo.pt

Eu passarei.

O céu continuará azul

Ou cinzento de acordo com o anticiclone,

Ou as frentes frias.

Mudaá ao ritmo 

Das aragens,

Dos ventos,

Ou dos temporais.

A atmosfera continuará,

Com os seus humores do momento.

O mar ondulará

Segundo a canção do vento.

As marés serão praia-mar,

As marés serão baixa-mar,

Ao ritmo lunar.

Lá para onde a realidade alcança,

Mas aquém do infinito da imaginação,

Estrelas mortas continuarão a ser vistas,

Outras morrerão,

Outras aparecerão,

Apesar da existência,

Ou inexistência,

Ou o fim deste pequeno grão de pó.

Este grão de pó, que sou eu,

Nada interferirá na marcha do universo.

Não sou substituível,

Nem insubstituível,

Serei apenas um nada.

E um nada é um nada.

22
Out22

Dia de hoje 71- Canto triste VII

Zé Onofre

          71

 

Canto triste VII

 

022/10/21

 

Faz-te clandestino, operário,

Junta à dos outros a tua dor

Faz-te clandestino, operário,

E a luta terá muito mais vigor. 

 

Regressa à noite, militante,

Lutar pelo dia da felicidade

Preparar o surgir de um novo sol

Que a nossa luta seja o farol

De um novo rumo à liberdade.
Preparar o surgir de um novo sol

Que a nossa luta seja o farol

De um novo rumo à liberdade.

 

Faz-te clandestino, operário,

Junta à dos outros a tua dor

Faz-te clandestino, operário,

E a luta terá muito mais vigor.

 

Uni as vossas forças, operários

Minai bem minada a muralha

Dêmo-nos as mãos sem demora

Lutemos todos os dias e agora

Vencedores justos desta batalha.

Dêmo-nos as mãos sem demora

Lutemos todos os dias e agora

Vencedores justos desta batalha.

 

Faz-te clandestino, operário,

Junta à dos outros a tua dor

Faz-te clandestino, operário,

E a luta terá muito mais vigor.

 

Vamos fazer um novo amanhã

A luta é de homens e mulheres

Que juntos vamos levar

A todo o lado a força de lutar

Na bandeira que lutar fizeres.

Que juntos vamos levar

A todo o lado a força de lutar

Na bandeira que lutar fizeres.

 

Faz-te clandestino, operário,

Junta à dos outros a tua dor

Faz-te clandestino, operário,

E a luta terá muito mais vigor

19
Out22

Comentário 298

Zé Onofre

                298 

 

022/09/23

 

Sobre Ama-me, Porque Sim, Sandra, 19.09.22, em

cronicassilabasasolta.blogs.sapo.pt

|

 Amar,

Talvez um dos mais fáceis verbos de conjugar.

Anda de boca em boca,

Solto ao vento

Como estrela de papel.

Esse verbo amar,

De que estou agora a falar,

Estrela de papel ao vento,

É tão vazio de sentido

Como o papel de que é feita a estrela.

 

A estrela

Tem mais sentido em cada laço

Do seu rabo

Do que o verbo amar largado

Boca fora,

Como quem expele uma baforada de fumo.

 

Agora,

Quem ama,

Não badala como o sino,

Gritando-o ao Orbe e à Urbe,

Eu amo.

 

Mesmo que o seu amor seja conhecido,

A dificuldade,

Em o conjugar como deve de ser,

É maior do que quem ama,

Torna-o incapaz de usar as palavras

Que justifiquem o amor.

 

Usa todas as palavras,

As possíveis e as impossíveis,

As reais e as imaginárias

Para concluir envergonhado,

Porque sim. 

Zé Onofre

17
Out22

Dia de hoje 70 - Canto tiste Vi

Zé Onofre

               70

 

Canto triste VI

 

022/10/17

 

Já não há poetas trovadores

Que cantem a nossa desgraça.

Não há quem semeie as dores

Sequer no vento ligeiro que passa.

 

Os cantores que há, não sabem

Ir de Terra em Terra animar a malta.

Que cantem traz um amigo também

Todos, vivos e idos, fazemos falta.

 

Os sanguessugas não temem nada,

Chupam-nos o sangue à luz do dia.

Os poetas vêem esvair-se a manada

E não denunciam a forte sangria.

 

Não há poetas que numa só canção

Dizerem a liberdade está por vir

Virá com pão, habitação e educação,

Que o povo seja dono do que produzir.

16
Out22

Dia de hoje 69 - Canto triste V

Zé Onofre

             69

 

                Canto triste V

 

022/10/16

 

Caminhamos sob um manto cinzento,

Cada um de nós vai só, surdo e mudo

Distraído da vida que vai sem alento

Como se só viver por viver fosse tudo.

 

Agora, caminhamos tristes cabisbaixos

Sujeitos a viver sem passado, nem futuro.

 

Se alguém nos olha com seu ar perdido,

Coisa mais natural nos tempos que correm

Engana-se. Parece-lhe um ser decidido,

Por baixo da pose vê um ser que nada tem.

 

A toda a parte chegamos como se nada

Fosse terem-nos tirado todo os direitos.

Sentamo-nos lado a lado pensando, cada

Um que tem que se amanhar a seu jeito.

 

Somos homens presos na cadeia do medo,

Com temor até de com os outros partilhar

O trabalho que esperamos logo mais cedo

Receosos que se suspeitam o vão roubar.

 

Agora, caminhamos tristes cabisbaixos

Sujeitos a viver sem passado, nem futuro.

     

Eles assustam todos com palavras mansas,

Calaram-nos com dois patacos e a ameaça

De monstros, como se fossemos crianças,

Se não queres assim, não falta quem o faça.

   

Jazemos como mendigos às portas da vida,

Pedindo, olhar baixo, por favor a esmola

De um trabalho. Prescindimos da devida

Paga e aceitamos como se fosse o totobola.  

 

Agora, caminhamos tristes cabisbaixos

Sujeitos a viver sem passado, nem futuro.

Agora, caminhamos tristes cabisbaixos

Sujeitos a viver sem passado, nem futuro.

15
Out22

Dia de hoje 68 - Canto triste IV

Zé Onofre

              68

 

    Canto triste IV

 

022/10/14

 

Como nos deixamos derrubar?

Vínhamos tão bem seguros

Da luta, lá longe começada,

Tãolonge para agora acabar,

Sem serem atingidos os futuros,

Que nossos avós iniciaram do nada.

 

Olhemos, para ver, à nossa volta 

Para ver se entendemos em que curva

Da longa caminhada nos perdemos.

Como é que a gente de esperança à solta

Como bandeira, de remente fica turva

Desistindo de ter o futuro que merecemos.

 

Será que acreditamos nos agourentos

Que diziam que estávamos enganados,

Que uma sociedade onde a gente é igual,

Só cabe na cabeça duns loucos violentos?

Porém, havia mais loucos entusiasmados

Com uma sociedade sem a ditadura do capital.

 

O capital, como qualquer outo poder,

Não vai desistir. Muda de estratégia.

Muda o rosto, e cria a social-democracia.

Consegue, com essa farda, não perder

O comando. Finge que recua, demagogia,

E com boa publicidade é só esperar para ver.

 

Como é que tantos se deixaram enganar?

Não sabem que ninguém dá nada de graça?

Assim iludidos tornaram-se bons aliados

De quem vive apenas para os explorar.

Nos gabinetes há quem idealiza e traça

O modo de vencer os mais desconfiados.

 

Como nos deixamos derrubar?

Vinha de longe, de tão longe a luta,

Conquistando tanto, para perder tudo,

Que custou suor e sangue a conquistar.

Talvez tenhamos perdido o dom da escuta

E o nosso discurso tivesse ficado mudo. 

 

E agora o que nos resta para fazer

Neste tempo tão difícil para lutar?

De longe, tão longe, aqui chegamos

Para arribar à praia e desfalecer?

Não meus irmãos, temos que continuar.

Se não, por que é que aqui estamos?

  Zé Onofre

13
Out22

Dia de hoje 67 - Canto triste III

Zé Onofre

                  67

 

Canto triste III

 

022/10/13

 

Dão-nos um lugar e ferramentas

E um horário para cumprir

Mais uma pessoa que aumenta

A lista da pobreza sempre a subir.

 

Dão-nos um nome sedutor

Para encobrir a realidade.

Chamam-nos colaborador

Porque têm medo da verdade.

 

Dão-nos nome de colaborador

Para não termos consciência

Da condição de trabalhador,

E nos quebrar a resistência.

 

Dão-nos um cheque a ver se cola,  

Se passa como honesto salário.

Dão-nos sorrindo aquela esmola

Fazendo de cada um, um otário.

 

Passam-nos a mão na cabeça

Com ar de carinho paternal,

Para que o operário se esqueça

De lutar contra o sistema atual.

 

Dão-nos tratamentos especiais   

Para fazerem crer que temos sorte.

Não querem que nos vejamos iguais

Porque unidos somos mais fortes.
        Zé Onofre

12
Out22

Dia de hoje 66 Canto Triste II

Zé Onofre

               66

 

Canto triste II

 

022/10/12

 

Amigo

Tão perdido no vento

Por esses caminhos do desalento.

Porque desperdiças o tempo

E não o somas ao de alguém.

 

Em cidades

Em vilas e aldeias

Porque passas sem olhar bem

Não saberás que há outros à tua beira

Que sofrem também.

 

Vê que

Vê que se ficas só

Não irás a qualquer parte.

Deixa que os sonhos dos outros

Sejam os teus sonhos também.

       Zé Onofrer

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