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Dia de Hoje

Dia de Hoje

26
Jun22

Comentário 276

Zé Onofre

                  276 

 

022/06/26

 

Sobre, Anti-imperialismo, Jorge Santos, napontadapena.blogs.sapo.pt

 

Quando os Estados Unidos tomaram as Filipinas, Twain escreveu: Recuso-me a aceitar que a águia crave as garras em outras terras."

 

Meu querido Mark Twain,

Companheiro amigo

Dos meus dias da infância.

Com o Tom Sawyer,

Banhei-me no Mississípi,

Nadando nas águas

Do meu pátrio Tâmega.

Vivi aventuras

Na corte do rei Artur

Em castelos de feitos.

Fui príncipe

Nas minhas surradas roupas

De subir a montes

E de trepar penedos.

Fui multimilionário,

Sem extorquir aos trabalhadores

Um centavo, em exploração,

Voando numa fantasiosa

Nota de um milhão de libras.

Meu querido Mark Twain,

Companheiro da minha infância,

Ponto de referência da Juventude,

Chave secreta dos meus segredos,

Até hoje.

Meu querido Mark Twain

Que triste viverias nestes dias

Com a tua águia

Que continua cada vez mais feroz,

Cada vez mais cruenta

E insaciável a cravar

“as garras em outras terras."

Zé Onofre

22
Jun22

Dia de hoje 51

Zé Onofre

               51

 

022/06/22              

 

Já era tempo,

Ó Universo,

Já era tempo

De encontrar no fundo do meu olhar

Um lago de águas calmas,

Um rio de águas mansas

Por entre areais e verdes arvoredos

Correndo sereno pelos dias

Até a o mar.

 

Já era tempo

De encontrar no fundo do meu olhar

Um céu azul translúcido,

Ou cinzento

Regando com vagar os resplandecentes campos,

Vestido do verde-escuro-húmido do inverno,

Já incendiado das cores arco-íris da primavera,

Ora amarelo-dourado do alegre verão,

Ou das cores alegre-tristes do Outono.

 

Já era tempo

De encontrar no fundo do meu olhar

O céu escuro a pirilampar,

Ou um céu vestido de um manto leitoso de luar.

 

Já era tempo

De encontrar no fundo do meu olhar

De não me sobressaltar

Com as convulsões da vida,

De vagarosamente mergulhar

Naquela serena corrente

Que longamente me há de levar

Para parte incerta.

 

Já era tempo

De não encontrar no fundo do meu olhar

As convulsões de emoções,

De dúvidas e incertezas,

De ter que lutar contra fantasmas do passado,

De tentar dar vida a um futuro

De utopias.

Zé Onofre

15
Jun22

Comentário 275

Zé Onofre

                   275 

 

022/06/15

 

Voemos! por Concha em junho 12, 2022, no blog umasenhoraenfadada.blogs.sapo.pt

 

 

Que me arranquem as asas.

Que me roubem a voz.

Que me tirem lápis e papel.

Que me emparedem vivo.

Sei que chegarei lá,

Ao fim da caminhada

Nas asas, na voz, no lápis e papel

No caminhar dos amigos.

Quando o bando voa unido

Na sua caminhada inevitável

Para além do verde/azul

Onde o futuro o espera,

Cumpre-se a caminhada,

Ninguém fica para trás,

Não volta ao início.

"Aqueles,
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também". (Zeca)

Zé Onofre

13
Jun22

Comentário 274

Zé Onofre

                   274

022/06/13

 

Sobre Asa Partida, por Maria Neves, em 11.06.22, no blog mluciadneves.blogs.sapo.pt

 

 

Quando me sinto ave nocturna,

Em momentos breves, porém, puros,

É como se a minha vida soturna,

Explodisse em mil luzentes futuros.

 

Ao romper da luz diurna,

Escondem-se os pontos escuros

Que me conduzem desta cafurna,

Se os sigo, a destinos obscuros.

 

Procuro, então, na noite sem luar,

Com a luz dos meus olhos de animal

Noctívago a rota que me há de levar

 

Em única viagem primeira, inaugural,

A um destino onde a Revolução deu lugar,

A um país onde um homem a outro é igual.

01
Jun22

Dia de hoje 50

Zé Onofre

             50

 

022/06/01

 

A memória nossa

De cada dia

Nos dai hoje

 

Já não há meninos

No chão do Largo

A rir e a chorar,

Aos abraços e arranhões

Cantigas soltas ao vento

Acompanhadas de palavrões.

 

Perdoai a nossa falta de memória

 

Já não há sinais de brincadeiras

No chão do Largo,

Não há restos de “macacas”,

Nem de “buraquinhas”,

Nem calhaus a marcar balizas,

Do jogo do pontapé no chão,

Em vez de na bola do de trapos.

 

Como também não me esqueço

 

Agora só há memórias

No chão do Largo,

Onde as crianças não sonhavam,

Faziam o sonho acontecer.

 

Daqueles que comigo brincavam

Ontem, hoje e amanhã

29
Mai22

Comentário 273

Zé Onofre

B 273 -------- 268

 

022/05/29, dia da Festa de N. Srª da Livração

                                            

Sobre Passado Presente Futuro, por Isaurinda Baltazar, no blog despertarosentir.blogs.sapo.pt

 

 

Estou parado no tempo.

 

Contudo o sol nasce,

Obedientemente, a Leste,

Fenece obstinadamente

Onde é esperado a Oeste.

 

Estou parado no tempo.

 

Apesar do vento agonizante

Que nos beirais assobia,

Da ventania forte

Com seus cantos heroicos,

Dos vendavais a anunciar tempestades,

Das aragens amenas

Com seus segredos e cantos de serenidade.

 

Estou parado no tempo.

 

A Terra continua a girar

No seu rodopiar de pião maluco.

As marés a subirem

As marés a descerem

Sob a batuta da insensata Lua.

Os rios a nascerem em pequenas fontes,

Vão parar aos rios

Depois de passarem vales e montes.

Mais longe, ou mais perto,

As armas insensíveis

Plantam corpos na terra.

 

Estou parado no tempo  

 

O passado e o presente

Abafaram o futuro,

Adiaram-no para data incerta.

Barata tonta desafio-me a seguir.

Volto sempre ao mesmo lugar.

  Zé Onofre

28
Mai22

Comentário 272

Zé Onofre

                   272  

 

 

022/05/27

 

Sobre CAMINHAR É PRECISO, por Maria em 18.05.22, no blog silênciosblogs.sapo.pt

 

 

Cheguei aqui,

Vindo por caminhos entrecruzados.

Concluo com raiva e tristeza

Tarde de mais cheguei,

Já estão gastas as certezas,

Como continuar sempre em frente

Se me dizem

Os caminhos estão desvendados.

 

Poder-me-ia ter sentado no centro,

Olhos baixos,

Braços caídos,

Fazer o que mais sensatos,

Que antes de mim aqui chegaram,

Resignados fizeram

Dar uma volta e atrás voltaram.

 

Não foi bilhete de ida e volta

De que me muni

Quando para esta viagem parti.

Ou fico aqui e em solidão morro,

Ou encho-me de coragem

E com mãos e unhas,

Com sonhos e decisão

Escavo uma nova saída que em frente siga.

Não vim dos princípios dos tempos

Para me dizerem a viagem acabou.

 

Nem que rompa a pele e as unhas,

Que de sangue ensope a nova via

Uma única certeza me guia,

Seguir em frente ou morrer.

  Zé Onofre

28
Mai22

dia de hoje 49

Zé Onofre

                  49

 

022/05/29

 

Que poderei eu dizer,

À cidade e ao mundo,

Que já não tenha sido dito

Mil vezes repetido,

Por homens humildes

Falando sozinhos com as pedras dos caminhos?

 

Que poderei eu dizer,

À cidade e ao mundo,

Que já não tenha sido dito

Mil vezes repetido,

Por poetas anónimos

Que lançam seus versos ao vazio?

 

Que poderei eu dizer,

À cidade e ao mundo,

Que já não tenha sido dito

Mil vezes repetido,

Por profetas maltrapilhos

Mil vezes apedrejados por insistirem?

 

Que poderei eu dizer,

À cidade e ao mundo,

Que já não tenha sido dito

Mil vezes repetido,

Por profetas inspirados

Pelo sopro de deus?

 

Que poderei eu dizer,

À cidade e ao mundo,

Que já não tenha sido dito

Mil vezes repetido,

Por deuses incarnados

Nos ventres de Marias?

 

Que poderei eu dizer,

À cidade e ao mundo,

Que já não tenha sido dito

Mil vezes repetido,

Por homens bons

Mil vezes escarnecidos?

 

Que poderei eu dizer,

À cidade e ao mundo,

Que já não tenha sido dito

Mil vezes repetido,

Por poetas malditos, ou não,

Com seus versos reduzidos a pó?

 

Se tudo foi dito

Mil vezes repetido,

Outras tantas milhentas lançadas ao lixo,

Resta-me talvez enunciar,

Pela quadragésima milionésima vez,
Fecha os olhos, os ouvidos,

Os medos e os ressentimentos,

E lança-te no abismo.

 

Depois …

Logo se verá. 

Zé Onofre

24
Mai22

Comentário 271

Zé Onofre

                   271

 

022/05/24

 

Sobre Cabo Carvoeiro, por Maria no dia 14.05.22 em silêncios. blogs.sapo.pt

 

 

 

Antes de lá se chegar,

Àquela escultura,

Cinzelada pela água e pelo tempo,

Abanada pelo vento

Que na água parece navegar,

Muitos passos foram dados,

Os olhos de espanto

Viram lá no fundo o mar rugir,

E muitas plantas resistentes,

Em pequenas fendas de rocha,

Às intempéries de uma eternidade.

 

Caminhar de salto em salto,

Ver o precipício abrir-se aos nossos pés,

Os olhos a chorar da aragem salgada,

E os ouvidos a zumbirem do vento

Em escalada crescente,

Como que a convidar-nos a voar.

 

Chegados ao abismo,

Para melhor desfrutar da arte do tempo,

Seguir aqueled fuste de pedra ali erguido,

Desde as profundezas do oceano

Ao azul cinzento da névoa,

É uma viagem singular.

   

De tempos a tempos o vento traz,

Na sua voz agreste, o piar das gaivotas,

Únicos animais que conseguem lá descansar.

 

Serão mesmo gaivotas,

Ou apenas grãos de pó e de vento,

Poemas de névoa escritos

Desde a eternidade?
    Zé Onofre

22
Mai22

Comentário 270

Zé Onofre

                  270 

 

022/05/22

 

Sobre o texto Novos horizontes, Paula em 14/05/22 no blog lindaorquideanegra.blogs.sapo.pt

 

Há um nundo pequenino.

Esse mundo pequenino não é onde vivo.

Gostava de viver nesse mundo pequenino.

Viver nesse mundo pequenino eu e a solidão.

Nesse mundo pequenino vhá um jardim.

Tão pequeno, o jardim, como o mundo pequenino.

Mil goteiras são fontes pequeninas,

No jardim pequenino

Do mundo pequenino que algures há.

Por essas goteiras veria outros mundos para lá

Daquele mundo pequenino.

Naquele mundo pequenino teria mil horizontes

Mil vezes diferentes uns dos outros,

Porém todos iguais na sua diversidade.

Seria tão bom eu e a minha solidão

Naquele mundo pequenino.

  Zé Onofre

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